O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), afirmou nesta segunda-feira (19) que está disposto a colaborar com a Prefeitura de Teresina diante da grave crise financeira enfrentada pelo município, cuja dívida ultrapassa R$ 3 bilhões. A declaração foi dada após o chefe do Palácio de Karnak ser questionado sobre conversas com o prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) a respeito da situação fiscal da capital.
Segundo o governador, a relação entre Estado e município vem sendo marcada pela cooperação, especialmente na área da saúde, considerada a de maior impacto no orçamento municipal.
“Nós conversamos com o prefeito Silvio Mendes desde o momento em que ele venceu as eleições. Eu já o recebi no Palácio de Karnak, nos colocando à disposição para colaborar em várias áreas. A área da saúde é um exemplo em que há muita cooperação entre o Estado e o município. Então, à nossa disposição, antes mesmo dele assumir o mandato, nós tivemos uma agenda com a bancada federal, ajudaram a intermediar essa reunião com a ministra Nísia à época, já com o ministro Padilha, já teve outra reunião para citar o caso da saúde, que é a principal parte do orçamento da prefeitura. Então, estamos com muita boa vontade em colaborar, até porque Teresina faz parte do Piauí e nós estamos governando o Piauí. Portanto, devemos ajudar bastante Teresina, como estamos fazendo”, declarou Rafael Fonteles.
Dividas da Prefeitura de Teresina
O endividamento da capital está dividido em três frentes. A primeira é composta pelas dívidas de curto prazo, acumuladas até 31 de dezembro de 2024, que somam mais de R$ 1,1 bilhão. Esse montante inclui restos a pagar (R$ 480,9 milhões), depósitos e consignações (R$ 280,3 milhões), despesas de exercícios anteriores (R$ 124 milhões), dívidas com empresas terceirizadas (R$ 212,3 milhões) e serviços de coleta de lixo (R$ 22,5 milhões). Todos esses valores representam obrigações imediatas da gestão municipal.
Já as dívidas fundadas, ou seja, de longo prazo, atingem o valor de R$ 1,83 bilhão. Elas incluem empréstimos com instituições financeiras como o Banco do Brasil (R$ 620 milhões), Banco de Brasília (R$ 100 milhões), Caixa Econômica Federal (R$ 275,3 milhões), Banco Mundial (R$ 202,8 milhões) e Banco Andino de Fomento (R$ 123,6 milhões). Além disso, constam débitos com o INSS (R$ 40,2 milhões), FGTS (R$ 8,6 milhões) e parcelamentos do IPMT (R$ 501,9 milhões), que comprometem a saúde financeira a médio e longo prazos.
A Fundação Municipal de Saúde também possui obrigações pendentes com fornecedores que somam R$ 110,7 milhões, elevando o total geral da dívida do município para R$ 3.067.631.580,40.
Pedro Oliveira
Davi Fernandes
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