O Ministério Público do Estado do Piauí, por meio da 9ª Promotoria de Justiça, requisitou que o Corpo de Bombeiros Militar do Estado (CBMEPI) instaure inquérito policial militar para apurar o crime de peculato, supostamente cometido pelo tenente Marcílio Bezerra dos Santos, acusado de ter vendido um cachorro doado à corporação. O pedido foi assinado no dia 14 de maio pelo promotor de Justiça Assuero Stevenson Pereira.
Após o prazo para conclusão das investigações, o representante ministerial solicitou que os autos retornassem à Promotoria, para que fossem adotadas as providências cabíveis sobre o caso. Conforme manifestação do Ministério Público, o requerimento é baseado em denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do órgão, relatando a grave conduta do bombeiro militar.
Doação de cachorro
A denúncia narra que, em 22 de fevereiro de 2022, o tenente Marcílio Bezerra dos Santos integrava a equipe dos bombeiros piauienses encaminhada à cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, a fim de auxiliar no resgate de vítimas das enchentes. Ao final da missão, ele solicitou ao Canil Heeler do Tinguá a doação de um filhote de cão da raça Boiadeiro Australiano, de pelagem azul, em nome do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí.
Ele afirmou que o cachorro doado seria treinado pela corporação para auxiliar em operações de busca e salvamento. O canil atendeu ao pedido do oficial e doou o cão Athos ao CBMEPI. O animal foi enviado do estado do Rio de Janeiro ao Piauí em 23 de março de 2022, com os custos da viagem pagos pela corporação.
Curso de busca, resgate e salvamento
Nesse mesmo período, o tenente Marcílio insistiu junto ao Comando-Geral para participar do Curso Interinstitucional de Busca, Resgate e Salvamento com Cães, às expensas do CBMEPI. Um dos bombeiros já estava inscrito no curso, mas o oficial insistiu para que fosse colocado no lugar dele, alegando ter prioridade para a vaga por ter conseguido o cão Athos, que serviria para esse tipo de missão.
Entretanto, colegas do tenente levantaram a suspeita de que ele teria outro interesse com o curso. “Fala-se, no quartel do QCG/CBMEPI, que o referido tenente apenas teria insistido para participar de tal curso com a finalidade de auferir os valores pagos a título de diárias em outro estado, no caso, Mato Grosso. Ao término do curso, que não tinha a intenção de reprovar seus discentes, o tenente Marcílio foi classificado em último lugar, colocação que corrobora com o real desinteresse do militar”, diz trecho da denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público.
Suspeita de que o cão Athos tenha sido vendido para ser vigia de galos de rinha
Ainda conforme apresentado, o cão Athos nunca recebeu treinamento e também nunca participou de ações junto ao Corpo de Bombeiros. Questionado sobre o paradeiro do animal, o tenente Marcílio Bezerra nunca apresentou resposta. A suspeita é de que ele teria vendido o animal a outro militar da corporação, para servir como vigia de galos de rinha em uma fazenda.
Outro lado
Procurada pelo GP1, a assessoria do Corpo de Bombeiros afirmou que já instaurou procedimento administrativo na instituição para apurar o caso, e que informações só podem ser repassadas ao final da apuração, que ainda não tem data definida.
O GP1 também entrou em contato com o tenente Marcílio Bezerra através das redes sociais, mas até o momento da publicação ele não respondeu às mensagens. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Carolina Matta
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