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Bertolínia - Piauí

Escritório de advocacia é contratado por R$ 216 mil sem licitação pelo prefeito Rodrigo Martins

O contrato foi assinado no dia 6 de janeiro e prevê a prestação de serviços de consultoria jurídica.

Dando sequência à série de reportagens do GP1 que expõe contratações feitas sem licitação por prefeituras do Piauí, a equipe de jornalismo identificou mais um caso envolvendo a contratação direta de escritório de advocacia com dispensa de concorrência pública.

Desta vez, a contratação foi realizada pela Prefeitura de Bertolínia, comandada pelo prefeito Rodrigo Martins (PSD). A gestão firmou um contrato no valor total de R$ 216 mil com a empresa Veloso & Dourado Sociedade de Advogados, por meio de inexigibilidade de licitação.

Foto: Reprodução/InstagramPrefeito Rodrigo Martins
Prefeito Rodrigo Martins

O contrato foi assinado no dia 6 de janeiro de 2025 e prevê a prestação de serviços de consultoria e assessoria jurídica na área trabalhista, com duração de 12 meses. O pagamento mensal ao escritório foi fixado em R$ 18 mil.

Foto: Reprodução/DOMExtrato do contrato
Extrato do contrato

O que diz a legislação

A Lei nº 14.133/2021, que rege as licitações públicas, estabelece que a inexigibilidade só pode ser aplicada quando houver notória especialização ou exclusividade, critérios que precisam ser claramente demonstrados no processo de contratação.

A “notória especialização” é válida apenas quando o profissional ou empresa contratada detém competências técnicas singulares, comprovadamente superiores às demais disponíveis no mercado. Já a exclusividade se refere a situações em que determinado serviço ou produto é oferecido por um único fornecedor ou representante legal.

Contratos sob o crivo da Justiça

Contratos dessa natureza têm sido alvo frequente de ações do Ministério Público do Estado do Piauí. Em diversos casos, a Justiça tem anulado contratações por identificar ausência de comprovação dos requisitos legais para dispensa de licitação.

Um exemplo recente ocorreu no município de Fronteiras, onde o juiz Ênio Gustavo Lopes atendeu a pedido do MP e declarou nulo um contrato firmado pela prefeitura com um escritório de advocacia de Recife (PE). Na ocasião, o magistrado apontou irregularidades como a ausência de valor fixado no contrato.

Outro lado

Procurado pelo GP1, o prefeito Rodrigo Martins não se pronunciou sobre o caso até o momento. O espaço segue aberto para esclarecimentos

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