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Teresina - Piauí

PSD no Piauí: a equação entre Fábio Abreu e Wilson Martins

O movimento político de Wilson Martins mexeu mais do que peças em um tabuleiro já congestionado.

O movimento político de Wilson Martins, ex-governador e hoje suplente de deputado federal, ao deixar o PT e se filiar ao PSD, mexeu mais do que peças em um tabuleiro já congestionado. Alterou os cálculos internos da sigla, trouxe apreensões a antigos quadros e reacendeu velhas disputas por espaço na Câmara Federal.

O impacto imediato recai sobre Fábio Abreu, secretário de Assistência Técnica e Defesa Agropecuária e ex-deputado federal. Em entrevista ao GP1, Abreu admitiu avaliar a saída do PSD diante da entrada de Wilson Martins na chapa proporcional. O receio é aritmético: com nomes de peso já consolidados na legenda — Georgiano Neto, Castro Neto, Marcos Aurélio e agora Wilson Martins —, a margem de chances individuais estreita-se. E, como todo político de carreira, Abreu sabe que o instinto de sobrevivência eleitoral é o motor que move decisões partidárias.

Foto: Lucas Dias/GP1PSD no Piauí: a equação entre Fábio Abreu e Wilson Martins
PSD no Piauí: a equação entre Fábio Abreu e Wilson Martins

O PSD, por sua vez, não esconde seu projeto de grandeza. Em Brasília, Gilberto Kassab reforça a ambição de montar bancadas robustas em estados estratégicos, e no Piauí a meta é clara: chegar à liderança da bancada federal. A conta de seus dirigentes é otimista: falam em até cinco deputados federais em 2026. Mas o cenário nacional impõe freios: o veto do presidente Lula ao aumento do número de cadeiras na Câmara e nas Assembleias Legislativas reduziu a margem de manobra. Onde antes se contava com duas vagas extras, agora o espaço é o mesmo, e cada nome a mais significa também mais risco de corte.

Nesse ambiente, a filiação de Wilson Martins tem duplo efeito. Agrega experiência, capilaridade política e peso eleitoral ao PSD, mas também pressiona lideranças já estabelecidas, como Abreu. Não é à toa que o ex-deputado passou a cogitar alternativas em outras siglas, como PDT e PSB, de olho na construção de uma chapa proporcional mais enxuta e, portanto, menos arriscada.

O pano de fundo é um jogo de xadrez que transcende o PSD. O PT, por exemplo, já contabiliza perdas. Em entrevista ao GP1, o deputado estadual Francisco Limma classificou como “precipitada” a saída de Wilson Martins da legenda. Reconheceu que a decisão “traz prejuízo” às articulações petistas, mas minimizou o impacto. “Nosso partido já enfrentou outros momentos e busca sempre se recompor. Não é novidade, nem nos abatemos com isso”, afirmou. Ainda assim, as entrelinhas revelam incômodo. O PT tinha em Wilson um nome viável para a Câmara Federal, e sua migração fortalece diretamente um aliado que também é competidor.

Do ponto de vista prático, a equação do PSD não é simples. A lei eleitoral exige a cota mínima de três mulheres na chapa federal, o que significa que, no corte final, um dos homens terá de ceder lugar. Essa engenharia, inevitavelmente, gera frustração em quem se sentir preterido e pode empurrar lideranças para fora do partido, como Abreu já insinua.

O que se assiste, portanto, é um cenário em que a força de uma legenda pode, paradoxalmente, se converter em fragilidade. Quanto mais nomes competitivos o PSD atrai, mais difícil se torna acomodá-los sob as regras do jogo proporcional. A promessa de “caber todos” soa generosa, mas a matemática eleitoral raramente perdoa.

Wilson Martins, ao confirmar em entrevista ao GP1 que disputará a Câmara pelo PSD, trouxe vigor ao projeto da sigla. Mas também acionou o alerta interno: no partido que busca crescer, a concorrência não é apenas contra adversários externos, mas também, e sobretudo, entre os próprios aliados. E, nesse campo, vitórias e derrotas têm sabor ainda mais amargo, porque se dão dentro de casa.

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