A Polícia Civil do Piauí indiciou, no dia 21 de agosto, o médico Geraldo Vieira Diniz Júnior, filho da promotora aposentada Leida Diniz, pelos crimes de calúnia, difamação, injúria, violência psicológica e denunciação caluniosa contra a ex-esposa, a enfermeira Riassa Dourado, mãe de suas duas filhas. O indiciamento resultou de inquérito instaurado na 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Teresina, conduzido pela delegada Valéria Cristina da Silva Cunha.
Riassa Dourado e Geraldo Diniz foram casados por mais de 10 anos e, após a separação, a enfermeira perdeu a guarda das duas filhas após ser acusada de maus-tratos. Desde então, ela vem travando uma batalha judicial para reaver o direito de conviver plenamente com as duas crianças e chegou a ficar totalmente afastada delas por dois anos, por ordem judicial, e agora consegue vê-las, mas por tempo limitado, em visitas monitoradas. Por essa razão, Riassa decidiu procurar a polícia para denunciar o ex-marido.
Nos autos do inquérito, Riassa Dourado relatou ter sido alvo de falsas denúncias do ex-companheiro na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Nessas denúncias, ele a acusava de maus-tratos contra as meninas, o que levou as crianças a passarem por exames no Instituto de Medicina Legal (IML). Os laudos, porém, não confirmaram agressões.
Segundo a enfermeira, o objetivo das acusações seria afastá-la das filhas e enfraquecer sua rede de apoio. A vítima também relatou ter sido difamada pelo médico, que, em conversas com amigos e conhecidos, a descrevia como “incompetente como mãe” e “desequilibrada”.
Ela também denunciou violência patrimonial. Em depoimento, afirmou que o ex-marido entrou em contato com um corretor de imóveis, dizendo que permitiria a venda do imóvel do casal somente se ela desistisse da ação de alimentos. O corretor foi ouvido pela autoridade policial e confirmou o fato.
Além disso, Riassa declarou que, sob influência do pai, as filhas passaram a rejeitá-la, chamando-a de “capeta” e se referindo à atual companheira de Geraldo como “mãe”.
Testemunhas
A investigação reuniu diversos depoimentos que reforçam as acusações da vítima. Um deles foi da babá que cuidou das crianças por cerca de dez meses. Ela afirmou que jamais havia presenciado quaisquer tipos de maus-tratos de Riassa em relação às filhas e ressaltou que a enfermeira sempre demonstrou ser uma ótima mãe, muito amorosa.
Uma irmã de Riassa Dourado também foi ouvida. Ela relatou que Geraldo Diniz foi um pai ausente e que passou a usar falsas acusações para prejudicar a ex-companheira. Segundo a irmã, o médico chegou a afirmar que o pai dele teria morrido em decorrência de “pressão” causada pela ex-companheira. Outra irmã disse que o ex-marido hackeou o perfil da enfermeira no Instagram, e espalhou difamações entre conhecidos.
Amigas próximas e vizinhos também descreveram Riassa como uma mãe dedicada. Todas essas pessoas descreveram Geraldo Diniz como pai ausente, que não participava da vida escolar nem de momentos festivos, incluindo aniversários das filhas.
O que diz o médico
Em sede de interrogatório, Geraldo negou as acusações. Ele afirmou que o casamento foi marcado por desavenças e que era alvo de agressões físicas e verbais de Riassa. Alegou ainda que ela apresentava “surtos de agressividade” e chegou a quebrar objetos em casa.
Sobre as denúncias de maus-tratos, declarou que apenas reproduziu relatos das próprias filhas. Segundo ele, as meninas teriam pedido para não ficar com a mãe e relatado castigos considerados abusivos. Ainda conforme o médico, após a separação ele arcou sozinho com dívidas e manteve o sustento das filhas.
Conclusão da investigação
Apesar das negativas de Geraldo Diniz, a delegada Valéria Cristina concluiu que havia indícios suficientes para o indiciamento. O relatório final destaca que a materialidade dos crimes foi comprovada por depoimentos, documentos e laudos anexados aos autos.
“Considerando que existem dados suficientes da autoria, provada a materialidade do crime, indiciamos Geraldo Vieira Diniz Junior pela prática das infrações penais”, concluiu a autoridade policial.
Os autos do inquérito policial foram encaminhados ao Poder Judiciário.
Outro lado
Procurado pelo GP1, o médico Geraldo Diniz disse não ter conhecimento das denúncias e informou que deve se manifestar em breve por meio de sua defesa.
Thais Guimarães
Ver todos os comentários | 0 |