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Teresina - Piauí

Empresário preso no Terras Alphaville suspeito de lavar dinheiro para o Bonde dos 40 movimentou R$ 4 milhões em um ano

Deivison estaria ligado ao namorado da vereadora Tatiana Medeiros, apontado como liderança da facção.

O empresário Deivison José Santos Lima, preso nesta terça-feira (9) no condomínio Terras Alphaville, zona leste de Teresina, é investigado por suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa Bonde dos 40, movimentando valores milionários por meio de empresas de fachada. Segundo informações obtidas com exclusividade pelo GP1, em apenas um ano ele movimentou mais de R$ 4 milhões.

Nossa reportagem obteve acesso a uma manifestação do Ministério Público expedida em julho deste ano, quando foi apresentado parecer favorável à prisão temporária do empresário, mais conhecido como “Deivison Extourado”. Antes de decretar a prisão preventiva, cujo mandado foi cumprido nesta terça, a Justiça havia determinado a segregação temporária do suspeito, no âmbito da mesma investigação conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), da Polícia Civil do Piauí.

Foto: ReproduçãoDeivison José Santos Lima
Deivison José Santos Lima

Segundo os autos, Deivison estaria diretamente ligado a Alandilson Cardoso Passos, namorado da vereadora afastada Tatiana Medeiros (PSB) e apontado como liderança do Bonde dos 40. A polícia identificou um esquema sofisticado em que a organização criminosa utiliza empresas fictícias para dissimular recursos oriundos do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.

No caso de Deivison Lima, a investigação identificou que negócios de sua propriedade, como a Extourado Veículos, a Farmácia Econômica e a D.J.S. Lima Automóveis Ltda funcionariam apenas como fachada.

Movimentações milionárias

Consta no parecer ministerial que, a partir da investigação policial foram identificadas movimentações milionárias nas contas do empresário. No período de 10/05/2020 a 03/05/2021, foram registrados créditos no total de R$ 2.248.779,00 (dois milhões, duzentos e quarenta e oito mil, setecentos e setenta e nove reais) e débitos de R$ 2.249.185,00 (Dois milhões, duzentos e quarenta e nove mil, cento e oitenta e cinco reais) totalizando, em apenas um ano, R$ 4.497.964,00 (quatro milhões, quatrocentos e noventa e sete mil e novecentos e sessenta e quatro reais).

Foto: Divulgação/DENARCDENARC prende empresário durante operação no Terras Alphaville
DENARC prendeu Deivison Lima durante operação no Terras Alphaville

As principais entradas de recursos na conta de Deivison Lima teriam ocorrido através de transferências e TEDs.

De acordo com a apuração, Deivison também movimentou volumes financeiros expressivos em outros períodos. De 02/06/2021 a 03/12/2021, movimentou R$ 2.459.197,88 (dois milhões, quatrocentos e cinquenta e nove mil, cento e noventa e sete reais e oitenta e oito centavos); e de 01/02/2022 a 29/05/2023 foram registradas transações de R$ 1.548.964,24 (um milhão, quinhentos e quarenta e oito mil, novecentos e sessenta e quatro reais e vinte e quatro centavos).

Todos esses valores são bem superiores à rende por ele declarada.

Operação Capital Oculto

Após a deflagração da Operação Capital Oculto, o delegado Samuel Silveira, coordenador do DENARC, explicitou o objetivo da ação, cujo nome já demonstra que os alvos seriam justamente os acusados de lavar dinheiro para a facção criminosa.

Foto: Lucas Dias/GP1Samuel Silveira, delegado do Denarc
Delegado Samuel Silveira, do Denarc

“O Capital Oculto chega na base, na comunidade, nas ruas, onde é vendida a droga, e chega no campo empresarial, com revendedores de carro que lavavam dinheiro da droga, chega nos organizadores da organização criminosa, figuras extremamente conhecidas no mundo do crime, como o Alandilson e até mesmo o Brizola, que comandou por décadas o tráfico e o Bonde dos 40 na região da Santa Maria da Codipi. E, por fim, atingindo o topo, o mentor da organização, estou falando do Leo Gordinho, que, no sentido negativo, é a expressão máxima dessa organização”, declarou o delegado.

Na operação, foram cumpridos 42 mandados judiciais, incluindo de prisão, em diferentes regiões de Teresina. A ação mobilizou mais de 100 policiais civis e militares.

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