Nesta semana de Carnaval, enquanto blocos, trios elétricos e festas de rua movimentam a cidade, cresce também a preocupação com a saúde dos animais de estimação. Especialistas alertam que a exposição de cães e gatos a multidões, som alto e calor excessivo pode provocar desde estresse e ansiedade até quadros graves de saúde.
Em entrevista ao GP1, o médico veterinário Igor Trindade explicou que o sistema sensorial dos animais é muito mais sensível do que o humano, especialmente a audição. “O que já é alto e desconfortável para nós é potencialmente doloroso para eles. Cães têm a audição muito mais apurada e não entendem aquele ambiente como diversão, mas como ameaça”, afirmou. Segundo ele, barulhos como fogos, apitos e caixas de som podem desencadear crises de ansiedade, tremores, tentativas de fuga e até comportamentos agressivos.
Outro fator preocupante é o calor. Igor ressalta que os cães regulam a temperatura principalmente pela respiração, o que os torna mais vulneráveis em dias quentes e sob sol intenso. “Vivemos em uma cidade que já é naturalmente muito quente, e a exposição prolongada pode levar à hipertermia, causando desmaios e, em casos mais graves, risco de morte”, alertou. Ele também chama atenção para alimentos oferecidos por impulso durante os passeios. “Comida de rua, temperos e petiscos improvisados podem causar intoxicação ou problemas gastrointestinais.”
Perfumes fortes, fumaça, espumas de carnaval e adereços com glitter também representam perigo. “Os animais são curiosos. Podem lamber, ingerir pequenos objetos ou ter irritações na pele e nas mucosas”, explicou. Para o veterinário, o bem-estar deve estar acima da estética ou da vontade do tutor. “Carnaval é para pessoas. Para os animais, o melhor é um ambiente calmo, seguro e familiar. Evitar a exposição é sempre a decisão mais responsável.”
E quem quer sair e vai deixar o pet em casa?
O veterinário orienta que o animal fique em um ambiente seguro, ventilado e com acesso constante a água fresca. “Antes de sair, o tutor deve garantir que o espaço esteja organizado, sem objetos pequenos ao alcance, janelas protegidas e portões bem fechados”, recomenda.
Outra dica é gastar energia do animal antes da folia. Um passeio mais longo ou momentos de brincadeira ajudam a reduzir a ansiedade. “Um cão que já caminhou e interagiu tende a ficar mais tranquilo depois”, explica. Deixar brinquedos interativos e itens que estimulem o olfato também pode ajudar a mantê-lo entretido durante a ausência da família.
Para animais mais sensíveis a barulhos, o veterinário sugere estratégias simples, como manter televisão ou música em volume moderado para abafar sons externos. “Se o pet já tem histórico de medo intenso, vale conversar com o veterinário antes. Em alguns casos, podem ser indicados calmantes específicos ou feromônios ambientais”, pontua.
Contudo, o veterinário reforça que, mesmo com esses cuidados, não se deve deixar o animal em casa sozinho por longos períodos. “Além disso, o animal não deve permanecer por muito tempo sem companhia. A ausência prolongada do tutor pode aumentar a ansiedade, especialmente em épocas com barulhos intensos, como o Carnaval.” explica.
Igor destaca ainda que fantasia, glitter e adereços devem ficar restritos aos humanos. “Mesmo em casa, evite colocar roupas desconfortáveis ou acessórios que possam ser mastigados. Segurança vem sempre em primeiro lugar.” finalizou.
Caroline Vitorino
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