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Teresina - Piauí

Ministério Público do Piauí debate medidas após homicídio no Hospital Areolino de Abreu

A promotora Débora Aragão alertou que a ausência de providências pode aumentar o risco de novos casos.

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) realizou, nessa sexta-feira (20), uma audiência extrajudicial para discutir a adoção de novas medidas após o homicídio de um paciente registrado em fevereiro deste ano no Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu, em Teresina.

A reunião foi conduzida pela promotora de Justiça Débora Geane Aguiar Aragão, titular da 12ª Promotoria de Justiça de Teresina, e contou com a participação de representantes da direção da unidade hospitalar e de órgãos estaduais.

Foto: Divulgação/AscomHospital Aerolino de Abreu
Hospital Aerolino de Abreu

O Ministério Público acompanha o caso desde a ocorrência do crime e instaurou procedimentos administrativos para apurar as condições de funcionamento da unidade. Entre as recomendações, está a criação de protocolos de risco. Conforme apurado, tanto a vítima quanto os suspeitos do homicídio eram pacientes do hospital. Um dos acusados possui registros por furto e ameaça, mas nenhum deles era oriundo do sistema prisional.

Durante a audiência, a promotora alertou que a ausência de providências pode aumentar o risco de novos casos, inclusive com ameaças à integridade dos profissionais da unidade. Representantes do hospital relataram episódios de agressões a funcionários e afirmaram que não há equipe treinada para realizar contenção mecânica de pacientes em surto.

Foto: Divulgação/MPPIMPPI realiza audiência extrajudicial para discutir situação do Hospital Areolino de Abreu
MPPI realiza audiência extrajudicial para discutir situação do Hospital Areolino de Abreu

Déficit de pessoal e problemas estruturais

O hospital enfrenta um déficit de quase 150 funcionários, sendo necessários 68 enfermeiros, 40 técnicos de enfermagem e 38 auxiliares de serviços gerais para funcionamento adequado. Servidores também denunciaram a entrada de armas brancas e drogas na unidade, além de cobrarem a presença de policiais militares em regime de plantão.

Sobre a qualidade do atendimento, a chefe do Departamento de Gestão do Exercício Profissional, Andressa Sindeaux, informou que o Conselho Regional de Enfermagem identificou profissionais atuando além de suas atribuições.

Já o diretor administrativo do hospital, Marcos Vinícius de Sousa, destacou a dificuldade em manter plantões com médicos especialistas em psiquiatria, o que tem levado profissionais com apenas pós-graduação em saúde mental a assumirem funções.

Atualmente, a unidade conta com 160 leitos e abriga 148 pacientes. A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) informou que o hospital passa por reformas, com previsão de conclusão até outubro de 2026.

O diretor da Unidade de Descentralização e Organização Hospitalar, Anderson Dantas, afirmou que a secretaria irá elaborar, no prazo de uma semana, um estudo técnico para viabilizar a contratação de novos profissionais.

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