O Banco do Nordeste ingressou na Justiça para cobrar o pagamento de dívidas dos donos da rede de Postos HD no Piauí, Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, que juntas totalizam R$ 744.216,24 (setecentos e quarenta e quatro mil, duzentos e dezesseis reais e vinte e quatro centavos). Ao todo, são cinco ações de execução de título extrajudicial originadas de operações de crédito contratadas junto à instituição financeira.
Haran Santhiago e Danillo Coelho já são alvos de cobrança em duas ações monitórias também feitas pelo Banco do Nordeste. Uma de R$ 776.539,32 (setecentos e setenta e seis mil, quinhentos e trinta e nove reais e trinta e dois centavos) e outra de R$ 521.324,82 (quinhentos e vinte e um mil, trezentos e vinte e quatro reais e oitenta e dois centavos).
O GP1 obteve acesso a cinco novos processos que, juntos, mostram uma dívida dos empresários com o banco que ultrapassa R$ 700.000,00 (setecentos mil reais).
Primeira ação
A primeira ação dispõe de cobrança feita pelo Banco do Nordeste contra a empresa HD Petroleo LTDA (Posto HD 1), baseada em dívida líquida no valor de R$ 125.210,02 (cento e vinte e cinco mil, duzentos e dez reais e dois centavos). Ela é oriunda da contratação de uma célula de crédito bancário no valor total de R$ 467.517,60 (quatrocentos e sessenta e sete mil, quinhentos e dezessete mil reais e sessenta centavos) emitida em 28 de junho de 2019, com vencimento previsto para 15 de julho de 2027.
Foi oferecida como garantia um bem móvel em favor do credor, razão pela qual a instituição financeira pede a penhora. Pelas tentativas frustradas de solucionar a inadimplência, o Banco do Nordeste também fez requerimento para que os empresários fossem citados para pagar a quantia em três dias.
Inadimplência
Em ação de execução de título executivo extrajudicial em face da empresa HD Petroleo Usina LTDA, de propriedade de Haran Santhiago e Danillo Coelho, o Banco do Nordeste cobra uma dívida de R$ 177.460,48 (cento e setenta e sete mil, quatrocentos e sessenta reais e quarenta e oito centavos), referente a uma cédula de crédito firmada em 23 de dezembro de 2022 no valor de R$ 283.333,33 (duzentos e oitenta e três mil, trezentos e trinta e três reais e trinta e três centavos), com vencimento final em 23 de julho de 2029.
Apesar de assumirem o compromisso de pagar as parcelas mensais para quitar a dívida, o empreendimento tornou-se inadimplente, e o banco recorreu à Justiça para reaver seu crédito, com garantia de alienação fiduciária de bens móveis.
A instituição pontuou também que os empresários se negaram a efetuar o pagamento da quantia devida, de forma que o Banco do Nordeste optou por utilizar os meios legais para tal.
Descumprimento de acordo
Da mesma forma dos casos anteriores, os empresários firmaram uma cédula de crédito bancário junto ao Banco do Nordeste em nome da empresa HD Petroleo Uruguai LTDA (Posto HD 9), no valor total de R$ 283.333,34 (duzentos e oitenta e três mil, trezentos e trinta e três reais e trinta e quatro centavos), com garantia de alienação fiduciária de bem móvel em favor do credor.
No entanto, devido a inadimplência do pagamento das parcelas mensais, a instituição bancária cobra o pagamento de R$ 218.959,41 (duzentos e dezoito mil, novecentos e cinquenta e nove reais e quarenta e um centavos), já com o vencimento antecipado das parcelas vincendas, conforme contrato firmado entre as partes. Diante dos elementos previstos no acordo, o banco pede a penhora do bem oferecido em garantia.
Dívida atualizada
A inadimplência no pagamento de parcelas de cédula de crédito bancário firmado entre a empresa HD Petroleo Buenos Aires LTDA (Posto HD 06) e o Banco do Nordeste, no valor de R$ 141.033,79 (cento e quarenta e um mil, trinta e três reais e setenta e nove centavos), também originou uma ação de execução de título extrajudicial.
Com vencimento final previsto para 29 de dezembro de 2034, os empresários estão inadimplentes desde a parcela de janeiro deste ano, originando uma dívida de R$ 112.343,48 (cento e doze mil, trezentos e quarenta e três reais e quarenta e oito centavos). No contrato, eles ofereceram como garantia alienação fiduciária de bem móvel.
Posto Pima também é alvo de cobrança
A empresa Pima Energia Cegonha LTDA (Posto Pima 7), também de propriedade de Haran Santhiago e Danillo Coelho, é alvo de cobrança pelo Banco do Nordeste. A dívida é de R$ 110.242,85 (cento e dez mil, duzentos e quarenta e dois reais e oitenta e cinco centavos), originada pela operação de crédito feita em 12 de março de 2020 no valor de R$ 296.072,10 (duzentos e noventa e seis mil, setenta e dois reais e dez centavos).
Esta cédula de crédito tem vencimento final previsto em 15 de março de 2028, mas está com o pagamento em atraso desde novembro de 2025, razão pela qual a instituição tentou amigavelmente solucionar o débito junto aos empresários. Sem resultado positivo, a opção encontrada foi a via judicial, em que o credor pede a penhora do bem móvel colocado como garantia.
Operação Carbono Oculto 86
Os empresários Haran Santhiago e João Revoredo foram alvos da Operação Carbono Oculto 86, deflagrada no dia 5 de novembro de 2025 pela Polícia Civil do Piauí, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Instituto de Metrologia do Piauí (Imepi), para apurar crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e associação contra empresas ligadas ao PCC, entre elas, os postos de combustíveis da Rede HD.
O esquema utilizava uma sofisticada e complexa estrutura de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar capitais oriundos do crime, de modo que o grupo que operava no Piauí era considerado o “braço financeiro” do PCC no estado.
Segundo o delegado Anchieta Nery, diretor de Inteligência da SSP-PI, os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Souza, ex-proprietários da Rede HD, venderam a empresa em uma sucessão empresarial considerada fraudulenta.
A Rede HD foi vendida em dezembro de 2023 para a Pima Energia Participações Ltda, que iniciou as atividades seis dias antes da compra da empresa piauiense. A investigação identificou inconsistências patrimoniais, alterações societárias simultâneas e a criação de empresas com endereço na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), sem lastro econômico compatível com os negócios.
Denúncia
O Ministério Público do Estado do Piauí, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e da 6ª Promotoria de Justiça de Teresina, ofereceu denúncia contra 12 investigados no âmbito da Operação Carbono Oculto 86. O caso envolve a Rede de Postos HD suspeita de integrar um esquema criminoso com atuação nacional.
O GP1 apurou os nomes de 10 denunciados, são eles: Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho de Sousa, Thamyres Leite Moura Sampaio, Thayres Leite Moura Coelho, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani, Andressa Castro Alves de Oliveira, João Revoredo Mendes Cabral Filho e Victor Linhares de Paiva.
Arquivamento e reabertura
O juiz da Central de Inquéritos do Tribunal de Justiça do Piauí, Valdemir Ferreira Santos, determinou o arquivamento do inquérito que investigava empresários da rede de Postos HD, suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.
A decisão, assinada no dia 1º de abril de 2026, atendeu ao pedido da defesa dos empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Sousa. O magistrado fundamentou sua decisão em entendimento recente do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que estabeleceu limites para o compartilhamento de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Contudo, o desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí, José Vidal de Freitas Filho, determinou a retomada da Operação Carbono Oculto 86. A decisão do desembargador foi dada no dia 23 de abril, após pedido do Ministério Público do Piauí.
Carolina Matta
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