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Banco do Nordeste cobra na Justiça R$ 776 mil dos empresários da rede de postos HD no Piauí

A instituição pede a expedição de mandado de pagamento para que o montante seja garantido.

A empresa HD Transporte de Cargas LTDA, de propriedade dos empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, está sendo cobrada na Justiça do Piauí por um débito de R$ 776.539,32 (setecentos e setenta e seis mil, quinhentos e trinta e nove reais e trinta e dois centavos) junto ao Banco do Nordeste. Em ação monitória ajuizada no dia 11 de maio, a instituição bancária pede a expedição de mandado de pagamento para que o montante seja pago no prazo de 15 dias.

Essa cobrança é decorrente de dois contratos de cédula de crédito bancário firmados entre a HD Transporte de Cargas LTDA e o Banco do Nordeste. O primeiro é datado em setembro de 2019, com crédito limite de crédito rotativo no valor de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais).

Foto: Reprodução/Instagram/GP1Danillo Coelho de Sousa e Haran Santhiago
Haran Santhiago e Danillo Coelho de Sousa

Nesse caso, a dívida está em atraso desde 15 de março de 2026, e foi ofertado a garantia de alienação fiduciária de bem móvel em favor da credora.

Segundo contrato

O segundo contrato foi assinado em setembro de 2022, quando os empresários aderiram ao cartão BNB para clientes dos setores agroindustrial, comercial, de turismo e de prestação de serviços, através de emissão de célula de crédito bancário com limite rotativo de R$ 1.050.000,00 (um milhão e cinquenta mil reais).

Esse limite foi realizado no financiamento para compra de um caminhão no valor de R$ 640.000,00 (seiscentos e quarenta mil reais), ofertado em alienação fiduciária em favor do Banco do Nordeste. Do total desembolsado para compra do veículo, R$ 576.000,00 (quinhentos e setenta e seis mil) foi financiado pela cédula de crédito bancária, enquanto o restante foi recurso próprio.

Entretanto, desde novembro de 2025 os empresários estão inadimplentes, e com o vencimento das obrigações contratuais, a dívida chegou a R$ 776.539,32 (setecentos e setenta e seis mil reais, quinhentos e trinta e nove reais e trinta e dois centavos).

Pedidos

O banco alegou que ainda tentou renegociar o débito, mas as tentativas não foram suficientes, razão pela qual pede a quitação integral da dívida em 15 dias, sob pena de conversão automática da cobrança em título executivo judicial. Além disso, o Bando do Nordeste também solicitou a condenação dos devedores ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios.

Operação Carbono Oculto 86

Os empresários Haran Santhiago e João Revoredo foram alvos da Operação Carbono Oculto 86, deflagrada no dia 5 de novembro de 2025 pela Polícia Civil do Piauí, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Instituto de Metrologia do Piauí (Imepi), para apurar crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e associação contra empresas ligadas ao PCC, entre elas, os postos de combustíveis da Rede HD.

O esquema utilizava uma sofisticada e complexa estrutura de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar capitais oriundos do crime, de modo que o grupo que operava no Piauí era considerado o “braço financeiro” do PCC no estado.

Segundo o delegado Anchieta Nery, diretor de Inteligência da SSP-PI, os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Souza, ex-proprietários da Rede HD, venderam a empresa em uma sucessão empresarial considerada fraudulenta.

A Rede HD foi vendida em dezembro de 2023 para a Pima Energia Participações Ltda, que iniciou as atividades seis dias antes da compra da empresa piauiense. A investigação identificou inconsistências patrimoniais, alterações societárias simultâneas e a criação de empresas com endereço na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), sem lastro econômico compatível com os negócios.

Denúncia

O Ministério Público do Estado do Piauí, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e da 6ª Promotoria de Justiça de Teresina, ofereceu denúncia contra 12 investigados no âmbito da Operação Carbono Oculto 86. O caso envolve a Rede de Postos HD suspeita de integrar um esquema criminoso com atuação nacional.

O GP1 apurou os nomes de 10 denunciados, são eles: Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho de Sousa, Thamyres Leite Moura Sampaio, Thayres Leite Moura Coelho, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani, Andressa Castro Alves de Oliveira, João Revoredo Mendes Cabral Filho e Victor Linhares de Paiva.

Arquivamento e reabertura

O juiz da Central de Inquéritos do Tribunal de Justiça do Piauí, Valdemir Ferreira Santos, determinou o arquivamento do inquérito que investigava empresários da rede de Postos HD, suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

A decisão, assinada no dia 1º de abril de 2026, atendeu ao pedido da defesa dos empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Sousa. O magistrado fundamentou sua decisão em entendimento recente do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que estabeleceu limites para o compartilhamento de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Contudo, o desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí, José Vidal de Freitas Filho, determinou a retomada da Operação Carbono Oculto 86. A decisão do desembargador foi dada no dia 23 de abril, após pedido do Ministério Público do Piauí.

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