A auxiliar de serviços gerais, Rosânia Francisca do Nascimento, divulgou um relato nas redes sociais denunciando abuso de autoridade envolvendo policiais militares no município de Cristino Castro, na região Sul do Piauí. Segundo ela, a abordagem ocorreu após a circulação de um áudio em grupos de WhatsApp no qual fazia críticas à atuação de agentes de segurança na região.
De acordo com o depoimento, o episódio aconteceu cerca de dez dias após o conteúdo ter sido compartilhado. Na noite do dia 18 de abril, policiais foram até sua residência e solicitaram que ela os acompanhasse para prestar esclarecimentos. Rosânia afirma que, no momento da abordagem, ela estava sob efeito de medicação controlada e foi acordada por sua mãe, uma idosa de 83 anos com dificuldades de locomoção.
Ela relatou que, mesmo informando sua condição, foi conduzida à viatura com uso de força e sem maiores explicações. Inicialmente, acreditava que seria levada à delegacia de Cristino Castro, mas afirma que foi encaminhada para o município de Bom Jesus, o que teria gerado apreensão.
Ao chegar à delegacia, a mulher diz que sofreu pressão psicológica e foi acusada de crimes como difamação e calúnia contra a Polícia Militar. Ela sustenta que não houve situação de flagrante, já que o áudio tinha sido gravado dias antes. Ainda assim, relata que passou a noite em uma cela com condições precárias. “Foi o pior momento da minha vida. Dormi no chão, em um ambiente insalubre, com insetos, e fiquei muito abalada emocionalmente”, disse Rosânia.
A auxiliar de serviços gerais também afirma que ficou preocupada com a mãe, que permaneceu sozinha em casa durante toda a madrugada. Segundo o relato, apenas no dia seguinte, após a chegada de um advogado, ela foi liberada.
Entenda o caso
O episódio ocorreu em meio à repercussão do desaparecimento e morte de um homem identificado como Glauco José de Moura Soares, em Cristino Castro. Durante as buscas, surgiram discussões em grupos de mensagens sobre a atuação policial, contexto no qual Rosânia Francisca teceu as críticas à segurança pública.
A defesa de Rosânia, representada pelo advogado Silas Barbosa, argumentou que não houve base legal para prisão em flagrante, uma vez que os fatos mencionados no áudio eram antigos. Ainda segundo o advogado, não houve a lavratura formal do auto de prisão, o que reforçaria a irregularidade da condução.
Após o ocorrido, a mulher afirma que seu estado psicológico foi agravado, relatando crises de ansiedade, dificuldades para dormir e medo constante. Ela também relatou que outras mulheres teriam relatado situações semelhantes na cidade.
Outro lado
Procurada pelo GP1, a assessoria da Polícia Militar do Piauí (PM-PI) não se manifestou sobre o ocorrido até o momento da publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Brunno Suênio
Carolina Matta
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