A Justiça revogou, no dia 14 de julho, a prisão preventiva da empresária Ivane Luiza Campos Lima, sócia da empresa Transcastelo, acusada de integrar um esquema criminoso de tráfico de drogas na região de Castelo do Piauí. Ela é esposa de José Severo Lima, outro sócio da Transcastelo, apontado como líder do grupo.
A decisão foi proferida pelo juiz Thiago Carvalho Martins, que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares diversas da prisão.
Ivane Luiza Campos Lima estava presa preventivamente no âmbito de uma ação penal que apura o envolvimento de seis réus – incluindo ela e o esposo – no esquema de tráfico interestadual de entorpecentes. O grupo teria ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e atuava no transporte de drogas entre os estados de São Paulo e Piauí.
Segundo as investigações, José Severo e Ivane Luiza utilizavam a estrutura da empresa Transcastelo para transportar drogas em ônibus de linha regular.
Revogação da prisão
No pedido de revogação da prisão, a defesa da empresária alegou ausência de contemporaneidade dos fatos, inexistência de periculosidade concreta e a possibilidade de aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. O Ministério Público foi contrário à soltura, sustentando que Ivane Luiza teria papel relevante na organização criminosa, inclusive com movimentações financeiras suspeitas.
Ao analisar o caso, o juiz reconheceu que os indícios contra a empresária ainda exigem de aprofundamento e que não há, até o momento, prova direta de sua participação operacional no tráfico.
Como condição para responder ao processo em liberdade, a empresária deverá cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de exercer atividades na Transcastelo e restrições quanto à mudança de endereço ou saída da comarca sem autorização judicial.
O juiz Thiago Carvalho decidiu manter as prisões preventivas dos demais acusados, incluindo José Severo Lima.
Apreensão em 2022
Em outubro de 2022, um carregamento de 33 kg de maconha e 3 kg de cocaína foi apreendido pela polícia em Teresina, dentro de um ônibus da empresa. Inicialmente, não havia indícios claros de que os empresários estivessem diretamente ligados à droga apreendida. Contudo, investigações posteriores apontaram que o casal tinha conhecimento das atividades ilícitas e participava da logística de remessa e redistribuição das drogas.
Réus
Em abril deste ano, o juiz Almir Abib Tajra Filho recebeu denúncia em desfavor do casal de empresários, com base em inquérito que reuniu provas como interceptações telefônicas, documentos bancários e extratos de celulares apreendidos.
Gil Sobreira
Thais Guimarães
Ver todos os comentários | 0 |