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Ministério Público do Piauí denuncia 12 pessoas por fraudes nos postos da Rede HD e pede indenização de R$ 74 milhões

De acordo com as investigações, o grupo seria parte do braço financeiro e operacional do PCC.

O Ministério Público do Estado do Piauí, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e da 6ª Promotoria de Justiça de Teresina, ofereceu denúncia contra 12 investigados no âmbito da Operação Carbono Oculto 86. O caso envolve a Rede de Postos HD suspeita de integrar um esquema criminoso com atuação nacional.

O GP1 apurou os nomes de 10 denunciados, são eles: Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho de Sousa, Thamyres Leite Moura Sampaio, Thayres Leite Moura Coelho, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani, Andressa Castro Alves de Oliveira, João Revoredo Mendes Cabral Filho e Victor Linhares de Paiva.

De acordo com as investigações, o grupo seria parte do braço financeiro e operacional de uma organização criminosa originalmente apurada no estado de São Paulo, o PCC, mas com atuação também no Piauí.

Foto: Alef Leão/GP1Posto HD 09
Ministério Público denuncia 12 pessoas por fraudes nos postos da Rede HD

A denúncia aponta a prática de diversos crimes em território piauiense, como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento de consumidores, falsidade ideológica e lavagem de capitais. Segundo o Gaeco, consumidores já vinham percebendo irregularidades e chegaram a registrar boletins de ocorrência relatando prejuízos.

As fraudes teriam ocorrido ao longo de quase uma década, entre 2016 e 2025, em postos vinculados ao grupo investigado. As irregularidades envolvem tanto a qualidade quanto a quantidade de combustíveis comercializados, e foram identificadas a partir de fiscalizações realizadas por órgãos como o Instituto de Metrologia do Estado do Piauí, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e o Procon do próprio Ministério Público.

Além das fraudes, os investigados também são acusados de lavar dinheiro por meio da ocultação da atividade societária e uso de “laranjas”, com o objetivo de disfarçar a origem ilícita dos recursos.

Mesmo após decisões de primeira instância que haviam liberado o funcionamento dos estabelecimentos e desbloqueado ativos financeiros, o MPPI recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, conseguindo medida cautelar que manteve a interdição dos postos e o bloqueio de bens dos investigados.

Na ação penal, o Ministério Público também pede a condenação dos denunciados ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 74,2 milhões. O órgão aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia e a eventual abertura do processo.

O Ministério Público destacou que seguirá atuando de forma integrada com órgãos de fiscalização e persecução penal para responsabilizar os envolvidos e garantir a proteção dos consumidores.

Como funcionava o esquema

Conforme a investigação, a Rede HD foi vendida em dezembro de 2023 para a Pima Energia Participações Ltda, que iniciou as atividades seis dias antes da compra da empresa piauiense. A investigação identificou inconsistências patrimoniais, alterações societárias simultâneas e a criação de empresas com endereço na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), sem lastro econômico compatível com os negócios.

A Rede HD, de acordo com as autoridades, atuava tanto na lavagem de dinheiro para a facção, como na adulteração de combustíveis.

Adulteração de combustíveis

A polícia também descobriu que o grupo investigado estava construindo uma distribuidora na região da Grande Teresina, local em que ocorreria a adulteração nos combustíveis. O imóvel foi interditado. Os investigadores encontraram um papel no qual estavam anotadas fórmulas de adulteração de combustíveis, com substâncias como álcool anidro e nafta.

O esquema foi desarticulado no âmbito de quatro inquéritos policiais. São quatro investigações em andamento. Duas sobre crimes contra as relações de consumo, para apurar irregularidades nos postos, por bomba baixa e combustível adulterado. Outro inquérito investiga fraudes fiscais e o outro, a prática de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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