O cacique Henrique Manoel do Nascimento, representante dos povos originários Tabajara, Tapuio e Tamaraty, destacou em entrevista à TVGP1 a resistência histórica das comunidades indígenas no Piauí e os desafios atuais enfrentados por esses povos.
Segundo ele, os indígenas não viviam fixos em um único local, mas circulavam por diferentes regiões. “Não era um povo que vivia em aldeia certa. O Piauí era um grande corredor do Maranhão para o Ceará”, explicou, ao comentar sobre a mobilidade dos grupos antes da intensificação das invasões.
Henrique Manoel também relembrou o período de perseguição enfrentado pelas comunidades, que levou ao apagamento de sua identidade por décadas. Atualmente, de acordo com ele, o estado trabalha diretamente com oito etnias distribuídas em 12 municípios, embora existam registros mais amplos. “Então foram mais de 200 anos silenciados, tiveram que mudar sua forma de vida para que a gente pudesse estar aqui. Hoje, no Piauí, nós trabalhamos apenas com oito etnias, mas, pelo IBGE, são 81 etnias ainda reconhecidas dentro do estado do Piauí”, afirmou.
O cacique ressaltou que uma das principais pautas é a garantia do território para os povos originários. “A principal é o território. Nossa luta é maior pelos territórios”, destacou, acrescentando que já existem quatro áreas tituladas, enquanto outras seguem em processo junto à FUNAI.
Ele também apontou conflitos recorrentes com o agronegócio, especialmente na região sul do estado. “Muito conflito, ameaça de morte. Nós temos gente sob guarda de segurança direto aí, porque são ameaçados de morte”, relatou.
Na área social, Henrique Manoel citou avanços e projetos em andamento, como a implantação de polos de saúde indígena, iniciativas de educação diferenciada e programas habitacionais. Além disso, destacou a valorização cultural como eixo central das ações. “Uma das coisas que a gente tem trabalhado muito forte é a questão do incentivo à agricultura familiar indígena”, afirmou. Outro ponto abordado foi o resgate da língua e da identidade cultural dentro das comunidades.
O cacique também convidou a população a conhecer o Museu dos Povos Indígenas, localizado na aldeia Nazaré, em Lagoa de São Francisco. “É um local muito importante de se visitar, tem muita história bonita, além da cultura da gente e da culinária”, destacou.
Por fim, Henrique Manoel reforçou a importância de dar visibilidade às causas indígenas. “Toda vez que a gente dá uma entrevista dessa, a gente está realmente lá se identificando e dando mais visibilidade para o nosso povo, que ainda é muito pouca”, concluiu.
Rodrigo Mendes
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