A Polícia Militar do Piauí expulsou o cabo Valério de Sousa Caldas Neto após a conclusão de um Conselho de Disciplina instaurado para apurar a morte do escrivão da Polícia Civil do Piauí Alexsandro Cavalcante Ferreira, ocorrida em setembro de 2023, em Parnaíba. A decisão administrativa determinou a exclusão do policial “a bem da disciplina” e teve trânsito em julgado após a ausência de recurso dentro do prazo previsto no Código de Ética da corporação.
O julgamento administrativo foi assinado pelo comandante-geral da PMPI, coronel Scheiwann Lopes que considerou procedentes as acusações formuladas no processo disciplinar instaurado pela Portaria nº 695, de 18 de outubro de 2023. O documento apontou que o militar praticou transgressões disciplinares consideradas incompatíveis com a permanência dele nos quadros da corporação, com base no Código de Ética e Disciplina dos Militares do Estado do Piauí.
Além da exclusão, a decisão determinou o recolhimento de uniformes, documentos funcionais, porte de arma e demais objetos pertencentes à instituição que estavam sob posse do policial. A Diretoria de Finanças da PMPI também recebeu ordem para retirar o militar da folha de pagamento, enquanto a Diretoria de Gestão de Pessoas ficou responsável pelos registros administrativos decorrentes da expulsão.
Denúncia
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Piauí, o cabo é acusado de matar Alexsandro Cavalcante Ferreira na noite do dia 12 de setembro de 2023, por volta das 23h48, nas proximidades da residência da vítima, localizada no Residencial Colina do Alvorada, em Parnaíba. O órgão ministerial sustentou que o policial civil foi surpreendido quando tentou visualizar quem estava dentro de um carro estacionado próximo ao local.
De acordo com a denúncia, a vítima teria se abaixado em direção ao veículo no momento em que o acusado efetuou disparos de arma de fogo à curta distância. O Ministério Público afirmou que os tiros foram efetuados de surpresa, circunstância apontada como qualificadora por dificultar a possibilidade de defesa da vítima. A acusação também apontou que o militar teria alterado a cena do crime ao retirar a arma funcional do policial civil após os disparos.
O crime
Alexsandro Cavalcante Ferreira tinha 45 anos e era lotado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Parnaíba. Conforme informações repassadas pelo delegado Célio Benício, diretor de Polícia do Interior, o escrivão foi encontrado morto na calçada de uma residência próxima de sua casa já durante a madrugada do dia 13 de setembro.
Horas após o crime, o cabo Valério de Sousa Caldas Neto se apresentou na Central de Flagrantes de Parnaíba sob suspeita de ser o autor do homicídio.
Davi Fernandes
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