Em um vídeo marcado pela emoção, a mãe de Emilly Caetano da Costa, Dayane Félix, fez um desabafo público sobre a perda da filha e os impactos que a tragédia causou em sua família. Ao lado da outra filha, Emanuele, ela relembrou a dor vivida desde o dia em que Emilly foi morta, em 25 de dezembro de 2017, e destacou a dificuldade de expor esse sofrimento.
“Eu vim aqui falar com vocês, me desculpem, eu só consigo gravar desse jeito”, inicia Dayane, visivelmente abalada. “Eu queria estar falando com a minha filha viva, mas infelizmente eu não tenho ela aqui”, disse, emocionada.
Após nove anos de espera, a mãe afirma que a Justiça finalmente trouxe uma resposta. Dayane relembra a noite em que tudo aconteceu, descrita por ela como um momento que deveria ser simples e feliz. “Era uma noite comum. A gente saiu para tomar um açaí, porque a gente gostava disso. Mas aquela noite, para mim, virou um terror”, destacou.
Segundo o relato, não houve qualquer abordagem antes dos disparos. “Os policiais, despreparados, deram vários tiros no nosso carro. Não teve abordagem, não teve nada. A gente parou o carro. As janelas estavam abertas e, mesmo assim, atiraram. Eles simplesmente destruíram a nossa vida. Foi ali que eu perdi a minha filha. E, desde então, eu nunca mais fui a mesma”, relatou Dayane Félix.
O trauma também atingiu diretamente a irmã de Emilly. Emanuele, que estava presente, desenvolveu crises de ansiedade, assim como a mãe. “A Manu ficou com trauma. Tem crise de ansiedade, eu também tenho. Só Deus sabe o que a gente passa. Muita gente ainda critica, pergunta por que o carro não parou. Mas em nenhum momento mandaram a gente parar. E nada justifica tirar a vida de uma inocente”, frisou.
Emanuela também relembrou o vínculo com a irmã. “A gente fazia tudo juntas. Ia para a escola, saía juntas, só a gente sabe o que perdeu”, pontuou Emanuele.
Ao final, a mãe reforça que a dor permanece, apesar da decisão judicial. “A Emilly não volta mais. E só quem é mãe, quem é pai, sabe o que é sair para um momento de felicidade e voltar sem seu filho. Só Deus sabe”, lembrou, chorando.
Relembre o caso
Segundo a denúncia do MP-PI, no dia 25 de dezembro de 2017, os policiais realizavam ronda quando foram abordados por um rapaz que informou ter sofrido uma tentativa de assalto. O jovem disse que os responsáveis estavam em um veículo com características semelhantes ao carro em que estavam Emilly Caetano, seus pais e duas irmãs, um Renault Clio.
Depois disso, ao avistarem o veículo da família, os acusados tentaram realizar uma aproximação (com giroflex da viatura desligado). O pai de Emilly, Evandro Costa, temendo que poderia ser multado por infringir as normas de trânsito (a filha menor de 01 ano não estava no bebê conforto), tentou desvencilhar-se da viatura policial.
Com isso, os policiais iniciaram uma perseguição ao veículo (ainda com giroflex da viatura desligado). Em determinado momento, os acusados fizeram indicativo de parada com o acionamento do giroflex, assim que o veículo da família da vítima estacionou próximo à Concessionária Alemanha Veículos.
Criança foi morta a tiros
Assim que para a viatura, o policial Dornel atira diversas vezes contra o carro da família, atingindo Emilly fatalmente. Os pais da criança, Evandro Costa e Dayanne Costa, também foram baleados dentro do carro. Enquanto isso, o outro PM, Francisco Venicio, efetuou dois disparos para o alto.
A denúncia do MP-PI também apontou que, após o ocorrido, os réus recolheram estojos e projéteis de arma de fogo da cena do crime, além de modificarem a posição da viatura policial. Ou seja, alteraram o local antes da chegada da perícia.
PM foi condenado a 97 anos de cadeia
O soldado da PM-PI Aldo Luís Barbosa Dornel foi condenado a 97 anos de reclusão e 2 anos e 8 meses de detenção pelo assassinato de Emilly Caetano e por tentar matar os pais e as duas irmãs da vítima. Outro policial, identificado como Francisco Venício Alves, foi sentenciado a 2 anos e 3 meses de detenção pelo crime de fraude processual, por ter alterado a cena do crime antes da chegada da perícia.
Eles foram submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri nessa quinta-feira (30). A sessão durou mais de 24 horas e, ao final, o conselho de sentença decidiu pela condenação de ambos.
Brunno Suênio
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