A Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada) realizou, nesta segunda-feira (27), uma reunião com a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) e a Secretaria Municipal de Agricultura de Santo Antônio de Lisboa para definir um plano de ação integrado de combate à mosca-branca do cajueiro, praga que tem provocado prejuízos significativos à cajucultura na região.
O encontro reuniu técnicos das instituições para discutir estratégias de monitoramento, manejo e conscientização dos produtores, com o objetivo de conter o avanço da praga e reduzir seus impactos sobre a produção de caju e sobre atividades diretamente relacionadas, como a apicultura. De acordo com o secretário da Sada, João Rodrigues, o problema exige uma atuação coordenada entre Estado e municípios.
"Estamos traçando as linhas mestras para a atuação conjunta da Sada, da Adapi e da Prefeitura. É um problema que já merece uma preocupação ainda maior, porque temos informações de uma queda significativa na área cultivada de caju. Além da importância econômica da cajucultura, a atividade também está diretamente ligada à apicultura, que igualmente sofre os impactos da praga. Nosso objetivo é desenvolver uma ação organizada, sustentável e baseada nas orientações técnicas", destacou.
Segundo estudos da Embrapa, a mosca-branca do cajueiro ocorre no Piauí desde a década de 1970, mas o aumento das áreas cultivadas e a implantação de pomares mais adensados favoreceram a rápida proliferação da praga. As infestações costumam começar em plantas isoladas e se espalham rapidamente com a ação dos ventos, principalmente durante o período seco, quando as condições climáticas favorecem seu desenvolvimento.
Em situações de alta infestação sem controle, as perdas de produtividade podem chegar a 90%, além da redução na qualidade das castanhas produzidas. Os principais sintomas incluem amarelecimento e queda precoce das folhas, redução do crescimento vegetativo, comprometimento da floração e da frutificação e enfraquecimento das plantas.
O secretário municipal de Agricultura de Santo Antônio de Lisboa, Ualekson Almeida, ressaltou a importância da parceria entre os órgãos estaduais e o município.
"A mosca-branca vem dizimando a produção de caju em nosso município e avança rapidamente para outras regiões. Ficamos muito satisfeitos em contar com o apoio da Sada e da Adapi nessa luta. A partir desta reunião, definimos metas para enfrentar esse problema e proteger nossos produtores."
O gerente de Defesa Vegetal da Adapi, Ozael Valério, explicou que o órgão atuará na coordenação das ações fitossanitárias e na orientação dos produtores.
"A Adapi participará do monitoramento das áreas afetadas, da educação sanitária e da adoção das medidas necessárias para controlar a praga. Nosso objetivo é evitar o aumento dos prejuízos, reduzir a mortalidade das plantas e impedir a expansão da infestação para outras áreas produtoras."
A atuação também prevê a divisão de responsabilidades entre as instituições. A Adapi será responsável pela coordenação fitossanitária, fiscalização e educação sanitária; a Sada coordenará a assistência técnica e a mobilização das equipes de ATER; e a Prefeitura atuará no cadastramento dos pomares, apoio logístico e mobilização dos produtores rurais.
A expectativa é que a ação conjunta fortaleça o monitoramento da praga, promova o manejo adequado e contribua para preservar a produção de caju, importante atividade econômica para o semiárido piauiense.
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