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Polícia

Delegada levou membro do PCC para a posse no Palácio do Governo

A delegada, presa nesta sexta-feira (16), namora Jardel Neto apontado como membro da facção criminosa.

Uma delegada de polícia recém-empossada em São Paulo foi presa na manhã desta sexta-feira (16) durante uma operação do Ministério Público, suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Trata-se de Layla Lima Ayub, que mantinha um relacionamento com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, apontado como integrante da facção criminosa.

Layla e Dedel foram presos juntos em uma pensão na região do Butantã, na zona oeste da capital paulista. Segundo o Ministério Público, Dedel é considerado um dos chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima e estava em liberdade condicional no momento da prisão. As informações são do CNB São Paulo.

Foto: Reprodução/Redes SociaisDelegada Layla Lima Ayub
Delegada Layla Lima Ayub

Prisão e atuação após a posse

A delegada tomou posse no cargo no dia 19 de dezembro, em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo. Na ocasião, ela levou o namorado para o evento oficial. Conforme as investigações, nove dias após a posse, Layla atuou como advogada na defesa de um dos quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, durante audiência de custódia.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, negou falhas na apuração da vida pregressa da delegada antes da posse. Segundo ele, não havia qualquer apontamento contra Layla naquele momento.

“Não tinha nenhum registro anterior, mas a polícia não para de trabalhar. Constatamos que ela participou de audiência de custódia mesmo após ter sido empossada como delegada, o que é contrário ao ordenamento. Cortamos da própria carne”, afirmou.

Cooptação pelo PCC e lavagem de dinheiro

Layla Lima Ayub foi policial militar no Espírito Santo entre 2014 e 2022 e, posteriormente, mudou-se para o Pará, onde atuou como advogada. No ano passado, integrou a Comissão da Criança e do Adolescente da OAB em Marabá.

O promotor do Gaeco, Carlos Gaya, afirmou que não há indícios de que o PCC tenha financiado a formação da delegada, mas destacou que ela teria sido cooptada durante contatos com lideranças da facção em presídios no Pará, período posterior ao início da atuação como advogada.

Segundo o Ministério Público, essa cooptação se intensificou após o relacionamento amoroso com uma das lideranças do grupo criminoso. As investigações também apontam que o casal estava prestes a adquirir uma padaria na zona leste de São Paulo, que seria utilizada para lavagem de dinheiro.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá (PA). A Justiça decretou a prisão temporária por 30 dias do casal, que vai responder pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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