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Investigadores da Polícia Federal relatam pressão em atuação no caso Dias Toffoli

O magistrado é relator das investigações no STF, que apuram supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

Investigadores da Polícia Federal (PF) e servidores de órgãos que atuam nas apurações do caso Master relataram aumento de pressão direta e indireta do gabinete do ministro Dias Toffoli desde o fim de 2025, intensificada no início de 2026. O magistrado é relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram supostas fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com apuração, a pressão mencionada incluiria sondagens informais e a indicação de profissionais específicos para acompanhar a extração e análise de provas obtidas em operações policiais. Pessoas ligadas ao gabinete do ministro também teriam procurado agentes para questionar, de forma informal, sobre conteúdos encontrados em aparelhos eletrônicos apreendidos.

Foto: Rosinei Coutinho/STFMinistro Dias Toffoli
Ministro Dias Toffoli

Na segunda-feira (9), um relatório encaminhado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, apontou indícios de possível conflito de interesses na relatoria. O documento cita registros de ligações telefônicas entre Vorcaro e o ministro, além de um convite ao banqueiro para o aniversário do magistrado. Mensagens extraídas de celulares também mencionariam diálogos cifrados sobre supostos pagamentos.

Em nota, Toffoli afirmou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com o investigado.

Após a repercussão do caso nesta quinta-feira (12), o ministro determinou que a PF encaminhe ao STF o conteúdo integral dos celulares apreendidos na investigação. Segundo a decisão, a medida atende a pedidos das defesas para acesso ao material e busca garantir o contraditório e o devido processo legal.

As investigações apuram supostas fraudes estimadas em R$ 12 bilhões na venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Internamente, decisões recentes do relator teriam sido interpretadas por investigadores como restrições à atuação da PF.

Há pelo menos dois meses, integrantes das equipes alertam para aumento da pressão e risco de limitações operacionais, além do receio de que decisões possam ser influenciadas pelo possível surgimento de nomes do Judiciário e de figuras influentes de Brasília nas apurações.

O gabinete do ministro sustenta que as medidas adotadas têm como objetivo assegurar controle judicial adequado e respeito às normas processuais. Nos bastidores, investigadores afirmam que o ambiente de trabalho ficou mais sensível após o surgimento de elementos que poderiam colocar autoridades e pessoas influentes no centro das investigações.

Em relatório recente com cerca de 200 páginas, a PF solicitou autorização ao presidente do STF para novas diligências, indicando possíveis desdobramentos e futuras fases da operação, que podem alcançar nomes do alto escalão do poder e do Judiciário.

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