O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu o inquérito e indiciou duas pessoas pelo assassinato do jovem Victor Rafael Silva de Jesus, morto após ser confundido com integrante de uma facção criminosa, em Teresina. Os acusados são Sávio Guilherme, que morreu meses depois, e “Pecinha”, adolescente que cumpre internação provisória e está à disposição da Vara da Infância e da Juventude. O relatório final foi remetido ao Poder Judiciário nesta quarta-feira (04), pelo delegado Bruno Ursulino.
Em entrevista ao GP1, o delegado Bruno Ursulino explicou que a investigação teve início a partir do roubo de um veículo ocorrido dias antes do homicídio, na região do bairro Deus Quer, zona sudeste de Teresina. Durante a apuração, testemunhas informaram que os autores do crime chegaram ao local em um carro com as mesmas características do automóvel roubado. “A partir da troca de informações com outras unidades, conseguimos identificar os suspeitos. Um deles, menor de idade (Pecinha), compareceu à delegacia e confessou detalhadamente toda a ação criminosa”, relatou.
Segundo Ursulino, a confissão foi considerada consistente porque o adolescente descreveu com precisão o roubo do veículo, a forma de abordagem da vítima, as roupas que ela usava e o local exato onde os disparos de arma de fogo atingiram o corpo. “Todas as declarações foram confrontadas com imagens, depoimentos de testemunhas e demais elementos colhidos na investigação, o que confirmou a veracidade do relato. Ele, inclusive, afirmou que foi o único a descer do veículo, informação confirmada pelas testemunhas”, ressaltou o delegado.
As investigações apontam que os suspeitos saíram para praticar assaltos em uma área dominada por um grupo criminoso rival. Ao avistar o jovem, o adolescente acreditou, de forma equivocada, que se tratava de um inimigo, levando em consideração características físicas, tatuagens e o local onde a vítima se encontrava. “O suspeito desembarcou do carro e efetuou diversos disparos, tirando a vida de uma pessoa que não tinha qualquer envolvimento com atividades criminosas. A vítima não possuía antecedentes, não sofria ameaças e levava uma vida comum”, afirmou o delegado.
A autoridade policial ressaltou ainda que o homicídio foi cometido por engano e que a vítima não teve qualquer possibilidade de defesa. No momento do crime, o jovem estava na rua comprando um lanche e foi surpreendido pelos disparos. “Foi uma escolha totalmente equivocada. Ao levantarmos o histórico da vítima, verificamos que não havia nenhuma demanda criminal contra ela”, completou.
Um dos acusados morreu ao assaltar um PM
Após o homicídio, Sávio Guilherme tentou praticar outro crime, mas acabou morto durante uma ocorrência envolvendo um policial militar, o sargento J. Oliveira, na região do Alto da Ressurreição, no final de 2024. Já o adolescente permanece internado provisoriamente, à disposição da Justiça.
Brunno Suênio
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