A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (19), dois mandados de busca e apreensão no âmbito de uma investigação sobre vazamento de informações relacionadas às operações contra o Banco Master. A ação resultou no afastamento de um perito federal de suas funções.
De acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF), o agente investigado teria repassado à imprensa informações sigilosas obtidas no início das investigações sobre o caso. Os vazamentos investigados agora teriam ocorridos em dezembro do ano passado e janeiro deste ano.
As diligências fazem parte da sétima fase da Operação Compliance Zero, que apura o escândalo financeiro envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A Compliance Zero foi deflagrada em 2024. Um dos principais focos são operações ligadas ao Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a Corte, os dados teriam sido acessados a partir da análise de materiais apreendidos em fases anteriores da operação e repassados desde então.
Vazamentos e investigação
Desde o início das operações contra o Banco Master, em novembro do ano passado, informações sobre investigados e possíveis ligações com autoridades passaram a circular na imprensa. Entre os casos divulgados está a existência de um contrato de R$ 129 milhões envolvendo Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, para atuação jurídica em favor do banco.
Fontes ligadas à investigação afirmam que o servidor afastado teria realizado vazamentos direcionados sobre pontos específicos do inquérito.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça e ocorreu no estado de Rondônia. Em nota, o STF afirmou: “O investigado, na condição de perito criminal federal, teria repassado a integrante da imprensa informações sigilosas relacionadas a fatos ocorridos no início das investigações, obtidas a partir da análise de material apreendido durante uma das fases da Operação Compliance Zero.”
Confira a nota completa abaixo:
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, nesta segunda-feira (18), a deflagração de operação policial destinada a apurar eventual crime de violação de sigilo funcional praticado no âmbito da Operação Compliance Zero.
Em cumprimento à decisão proferida pelo relator, ministro André Mendonça, que acolheu representação formulada pela Polícia Federal, estão sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, entre elas a suspensão do exercício da função pública do policial federal supostamente envolvido na prática do crime.
De acordo com a Polícia Federal, o investigado, na condição de perito criminal federal, teria repassado a integrante da imprensa informações sigilosas relacionadas a fatos ocorridos no início das investigações, obtidas a partir da análise de material apreendido durante uma das fases da Operação Compliance Zero.
Ressalta-se que as diligências investigativas autorizadas possuem natureza específica e instrumental, voltada à preservação da investigação, à prevenção de eventual reiteração delitiva e à colheita de elementos probatórios ainda pendentes.
Nesse contexto, as medidas não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte.
A investigação, conforme delimitada desde a decisão que determinou sua instauração, destina-se à apuração da conduta de agente público que, em tese, teria violado o dever funcional de resguardar informações sigilosas.
*Com colaboração de Isaac Da Silva
Isaac Da Silva
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