Após a prisão do empresário Gil Cavalcante, ocorrida nesta terça-feira (16), em Teresina, vítimas que afirmam ter sido lesadas pelo investigado procuraram a reportagem para relatar como teriam caído nos golpes e detalhar os prejuízos financeiros acumulados. Segundo a Polícia Civil, o empresário é investigado por estelionato sob a suspeita de receber veículos para venda e não repassar os valores aos proprietários ou deixar de devolver os automóveis após as negociações.
Os relatos apontam que os prejuízos já ultrapassam R$ 300 mil. Entre as vítimas está o empresário mineiro Mário Mourão, que afirma ter perdido R$ 168,5 mil em negociações realizadas em 2021.
De acordo com Mário, os golpes envolveram cinco veículos. Ele contou que, na época, trabalhava com intermediação de automóveis e confiou ao empresário a venda de alguns carros.
“Os golpes do Gil comigo foram o seguinte, são cinco carros. Na época eu trabalhava com intermediação de veículos. O primeiro foi uma Strada que ele recebeu dinheiro, mas não enviou. Depois teve um Onix que ele recebeu dinheiro, mas não enviou. E um Kwid que ele também recebeu dinheiro e não enviou. O restante era um EcoSport que ele chegou a enviar esse carro, porém não quitou o financiamento, depois virou busca e apreensão, e mais um Onix que ele chegou a mandar aqui para Minas também e também com financiamento em aberto e posteriormente virou busca e apreensão”, relatou.
Outra vítima
Outra pessoa que registrou denúncia foi Yuri Aragão, que afirma ter sofrido um prejuízo de aproximadamente R$ 50 mil. Segundo ele, o contato com o empresário ocorreu após anunciar uma motocicleta na internet.
Yuri relatou que foi atraído até o estabelecimento de Gil Cavalcante por um funcionário do empresário. No local, teria sido convencido a realizar um investimento após ouvir promessas de retorno financeiro.
“Ele tinha um funcionário que me mandou mensagem. Eu anunciei uma moto na internet e fui até o local. Chegando lá, ele contou uma história muito bonita, dizendo que já tinha uma pessoa querendo a moto e tudo mais. Eu acreditei. Ele me chamou para uma sala e perguntou se eu não tinha um valor para investir com ele. Eu fiz o depósito de mais de R$ 10 mil para ele em conta bancária”, relatou a vítima.
Ainda conforme Yuri Aragão, após a transferência, os pagamentos prometidos nunca foram realizados. Ele afirma que passou meses cobrando os valores e que chegou a ser ofendido e intimidado pelo empresário.
“Depois disso foram só promessas, meses e meses. Mandava mensagem, ele me xingava, dizia que eu era um pobre coitado, que eu não era ninguém e que ele tinha parentes na política e ninguém pegava ele”, completou Yuri.
A Polícia Civil segue investigando o caso e apura a existência de outras possíveis vítimas do esquema atribuído ao empresário.
Thais Guimarães
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