Fechar
GP1

Polícia

PF identifica 17 empresas ligadas a operador financeiro do PCC alvo de sanção dos EUA

A descoberta ocorreu durante a Operação Exchange, deflagrada na última sexta-feira (3).

A Polícia Federal identificou 17 empresas ligadas a Diego Lameiro, apontado como operador financeiro de um esquema de lavagem de dinheiro investigado por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a investigação, as companhias movimentaram mais de R$ 4,4 milhões em negociações envolvendo alho argentino e levantaram suspeitas de importação irregular do produto.

A descoberta ocorreu durante a Operação Exchange, deflagrada na última sexta-feira (3), que teve como alvos Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie, investigados por envolvimento em uma estrutura financeira relacionada à organização criminosa.

Shimada é um dos brasileiros incluídos em uma lista de sanções do governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC. Ele é considerado foragido e não foi localizado pelos agentes durante o cumprimento dos mandados autorizados pela Justiça Federal. Já Stella Stefanie, conhecida pelo apelido de “Lara Croft”, teve a prisão preventiva cumprida.

Foto: Divulgação/PF-SPPolícia Federal
Polícia Federal

De acordo com a PF, as empresas atribuídas a Diego Lameiro foram abertas em um intervalo de sete meses, entre junho de 2023 e janeiro de 2024. A maioria delas estava registrada oficialmente para atuar no comércio atacadista de alimentos, com algumas fazendo referência direta ao setor de alho, como Alhos Lameiro, Terra do Alho Produtos Alimentares, Allium Foods e Master Allium.

A investigação aponta que as empresas, apesar de apresentarem atividades comerciais formais, teriam sido utilizadas para movimentações financeiras consideradas suspeitas. Dados analisados pela PF, a partir de informações enviadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), indicam que os CNPJs movimentaram mais de R$ 4,4 milhões.

Mensagens interceptadas pelos investigadores também revelaram conversas entre Lameiro e Shimada sobre negociações de alho produzido na região de Mendoza, na Argentina. Em um dos diálogos, Shimada teria pedido imagens da produção para apresentar o produto a um possível comprador.

Segundo a Polícia Federal, há registros que apontam para a entrada irregular de alho argentino no Brasil. Os investigadores afirmam que as conversas encontradas nos celulares dos envolvidos detalham negociações relacionadas ao produto e podem indicar a utilização da atividade comercial como parte da estrutura investigada.

Embora Diego Lameiro resida na Baixada Santista, as empresas vinculadas a ele foram registradas em endereços localizados no Rio de Janeiro e no interior do Rio Grande do Sul.

A Operação Exchange teve os mandados autorizados pela Justiça Federal em junho, mas a execução foi adiada enquanto a PF buscava confirmar o paradeiro de Victor Shimada e definir a estratégia para a prisão. A ação acabou sendo antecipada após o anúncio das sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contra investigados.

Shimada foi procurado em cinco endereços, mas continua foragido. A Polícia Federal segue com as investigações para esclarecer a atuação das empresas e a possível participação dos envolvidos no esquema financeiro.

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.