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Política

Projeto do deputado Jesus Rodrigues prevê criação de 1 milhão de microdestilarias

O combustível só pode ser vendido no varejo por um posto revendedor, que, por sua vez, só pode adquirir o produto de empresas distribuidoras.

Por ocasião da visita técnica da Subcomissão de Desenvolvimento do Nordeste ao Piauí, o vice-presidente da Subcomissão sobre Energias Renováveis na Agricultura da Câmara Federal, deputado Jesus Rodrigues, lançou o projeto de criação de 1 milhão de microdestilarias em todo o país para possibilitar que agricultores familiares produzam e comercializem etanol.

“Precisamos democratizar a produção de biocombustíveis. Qualquer pessoa com instrução básica e equipamentos adequados pode produzir álcool, seja a partir da cana-de-açúcar, batata-doce, beterraba ou mamona”, afirma.

Jesus Rodrigues defende a produção de etanol a partir da batata-doce, sob o argumento de que esse legume já é produzido pelos pequenos agricultores para subsistência e tem qualidade superior a outras fontes, além de permitir a utilização do resíduo gerado para fabricação de ração animal. Apostando na viabilidade do projeto, a Embrapa Meio Norte está desenvolvendo pesquisas com seis diferentes espécies de batata-doce para verificar a mais produtiva.

Mas o deputado ainda precisa vencer um desafio: mudar a legislação brasileira, que impede produtores de vender biocombustível diretamente aos consumidores. O combustível só pode ser vendido no varejo por um posto revendedor, que, por sua vez, só pode adquirir o produto de empresas distribuidoras. “Essa centralização pode até ser indicada para combustíveis derivados de petróleo, mas não é a mais adequada para biocombustíveis”, diz.

Imagem: Divulgação/GP1Deputado Jesus Rodrigues(Imagem:Divulgação/GP1)Deputado Jesus Rodrigues

O parlamentar destaca que a venda direta de álcool hidratado da microdestilaria para postos revendedores da região ou para os consumidores finais ajudaria a desonerar o valor do produto. “Os biocombustíveis, para serem verdadeiros instrumentos de desenvolvimento social, devem ser produzidos em pequenas unidades espalhadas por todo o país. Contudo, o monopólio das distribuidoras é um grande inibidor desse processo, visto que dão preferência a contratos com grandes fornecedores, deixando os pequenos produtores marginalizados”, argumenta Jesus Rodrigues.
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