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Política

Guido Mantega reafirma que tomará medidas para evitar apreciação forte do real

Mantega aproveitou para reafirmar que o governo continuará tomando mais medidas no mercado de derivativos para combater a especulação.

Com ironia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira, 9, que vê com satisfação as críticas do mercado financeiro às medidas cambiais que limitam as operações com derivativos. "Foi eficaz. Tanto que doeu", disse. Segundo ele, os que criticam as medidas são aqueles que querem a liberalização para "fazer o que quiserem". Mantega aproveitou para reafirmar que o governo continuará tomando mais medidas no mercado de derivativos para combater a especulação.

"Ouvimos as reclamações com satisfação", disse o ministro, durante audiência na Comissão Geral da Câmara dos Deputados sobre a crise global. Durante a audiência, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega criticou duramente as medidas cambiais e as comparou a uma espécie de "A-5" financeiro.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante também reafirmou que a visão de um Estado mínimo é incompatível com situações de crise. Segundo ele, independentemente das divergências históricas sobre o papel do Estado na economia, em situações de dificuldades o Estado precisa suprir o papel do mercado, para que a economia retome o crescimento.

Carga tributária

Mantega acusou os governos anteriores ao de Lula de elevarem a carga tributária no País. Segundo ele, desde a gestão Lula, o governo vem reduzindo os tributos. "Estamos desonerando, ao contrário do que disseram alguns parlamentares de oposição. Quem aumentou a carga fiscal foram os governos anteriores ao nosso", disse.

Mantega lembrou que até a CPMF caiu no governo Lula, mesmo não sendo a vontade do Ministério da Fazenda. Mantega argumentou que a arrecadação de tributos tem crescido por causa do avanço da economia e do aumento da formalização de empregos. O ministro disse que o governo continuará com a política de competitividade, reduzindo o custo das empresas.

Mantega destacou também a solidez das contas públicas. "As contas nunca foram tão sólidas, apesar da conta de juros muito alta", disse. Segundo ele, o Brasil estaria entre os países com melhores resultados fiscais se os juros fossem menores. O ministro justificou o aumento dos gastos em função das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para estimular a economia. Ele destacou que os gastos estão crescendo menos do que as receitas e que o PIB "porque passou a fase anticíclica".

Ele disse que ao afirmar que haveria surpresas no resultado fiscal para enfrentar a crise econômica, quis dizer que, a cada mês, o resultado fiscal será melhor que no mês anterior. "E nesse cenário não é bom acrescentar novas despesas que não estão computadas", destacou.

Mantega contou que o governo também está combatendo medidas predatórias e burlas nas importações. "Não podemos deixar nosso mercado tomado por isso", afirmou.

Ele disse ainda serem "estranhas" as críticas conduta do governo para enfrentar a crise em 2008. "Se os EUA tivessem feito o mesmo teriam saído da crise. Os Estados Unidos fizeram política monetária e não fiscal. Eu faria tudo de novo", afirmou o ministro.

Ele disse que o governo teve que gastar em 2008, 2009 e 2010 para fazer política anticíclica. Lembrou que os bancos públicos também foram chamados para ofertar crédito à economia.

O ministro ainda elogiou o Congresso brasileiro que, segundo ele, é mais maduro que muitos outros, cujos países não quis mencionar.

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