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Política

Prefeito Jesualdo Cavalcante concede entrevista ao GP1 e fala sobre administração e politica

O prefeito também comentou o destino que o PTB deve tomar nessas eleições e disse que não restou outra opção para seu partido.

O GP1 conversou com o atual prefeito de Corrente, Jesualdo Cavalcante (PTB) sobre temas variados que vão desde a administração do município até o cenário atual da política do Estado. Jesualdo que é casado e pai de três filhos possui larga experiência na vida pública que iniciou aos 22 anos como vereador de Teresina.
Imagem: Germana Chaves / GP1Prefeito Jesualdo Cavalcante do PTB (Imagem:Germana Chaves / GP1)Prefeito Jesualdo Cavalcante do PTB

Desde então, o gestor não parou mais, tanto que exerceu os cargos de deputado estadual e federal. Foi eleito conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), período em que comandou a Corte por dois biênios.

Jesualdo Cavalcante é advogado e não esconde o amor pelas letras, a prova disso é que já lançou cerca de dez livros, dentre eles alguns que tratam sobre a criação do estado do Gurgueia, defendida pelo petebista.

GP1: Prefeito depois que você foi deputado estadual e federal por vários mandatos como surgiu a decisão de se candidatar a prefeitura de Corrente?


Prefeito Jesualdo Cavalcante:
Acredito que este seja o sonho de todo filho que goste de sua terra. Pelo fato de eu estar afastado da política por muito tempo, porque deixei a Assembleia para o Tribunal de Costas do Estado e, por isso, estava há muito tempo afastado das atividades políticas. Mas, houve um problema politico em Corrente em, que várias forças politicas dentre elas uma comandada pelo ex-prefeito sentiram a necessidade de mudanças. Como não havia condições de continuar e o prefeito era candidato a reeleição, se não houvesse uma outra candidatura consistente seria um passeio para ele. Essas forças se articularam e me fizeram essa convocação. Eu resisti durante muito tempo porque a questão politica não estava em minhas cogitações. Também tinha o fator da idade, mas chegou ao ponto que não havia como deixar de aceitar. Então eu imaginei que pagaria muito caro depois, e que seria muito cobrado se não aceitasse esse desafio e acabei aceitando.
Imagem: Germana Chaves / GP1Prefeito de Corrente, Jesualdo Cavalcante (Imagem:Germana Chaves / GP1)Prefeito de Corrente, Jesualdo Cavalcante

GP1: Esse foi o maior desafio de sua vida política?

Prefeito Jesualdo Cavalcante:
Não resta dúvidas. Embora, experiente do ponto de vista político e administrativo, porque comecei muito cedo como vereador de Teresina aos 22 anos de idade. Depois passei 10 anos afastado das atividades políticas, mas a ela retornei e virei deputado estadual. Fui duas vezes deputado estadual, tive oportunidade de ser também deputado federal. No entanto, voltei ao cargo de [deputado] estadual e nem concluí o mandato porque o TCE possuía, à época, cinco vagas reservadas a Assembleia. Eu me candidatei a uma dessas vagas, fui para o Tribunal e o presidi por dois biênios e depois me aposentei. Em seguida, fiquei pesquisando e escrevendo. Foi um período de muita produtividade intelectual. Hoje não tenho mais tempo para fazer pesquisas por minha presença em Corrente. A prefeitura absorve muito.

GP1: Quando o senhor assumiu em janeiro quais eram as condições da Prefeitura de Corrente?

Prefeito Jesualdo Cavalcante:
Eu não esperava grande coisa. Era de imaginar pelo o que se sabia que a Prefeitura estivesse em situação muito difícil. Foi uma campanha, uma eleição muito dura porque o ex-prefeito tinha um número expressivo de votos. No entanto, as pesquisas feitas indicavam uma maioria de três mil votos ao nosso favor. No fim, esse número andou perto de quase 2 mil. O ex-prefeito fez um esforço grande nas últimas horas pra tentar reverter e conseguiu tirar boa parte dos meus votos na última hora. Mas, saímos vitoriosos.

GP1: Quando o senhor assumiu a prefeitura existiam apontamentos no Cadastro de Convênios por conta da antiga administração. Você já conseguiu reverter esse quadro e a prefeitura já pode receber recursos federais?


Prefeito Jesualdo Cavalcante:
Felizmente conseguimos na terceira semana de janeiro através de apoio judicial. A Justiça Federal entendeu do impedimento e, portanto, estamos aptos a assinar convênios com o Governo Federal para liberação de recursos. Essa vitória é para Corrente, mas existe um prejuízo de um ano todo trabalhando só com recursos municipais. Como todo mundo sabe existe um fardo muito pesado em cima dos municípios, principalmente para manter uma série de recursos estaduais e federais.
Imagem: Germana Chaves / GP1Prefeito Jesualdo Cavalcante (Imagem:Germana Chaves / GP1)Prefeito Jesualdo Cavalcante

GP1: O senhor foi notícia em vários órgãos de comunicação do Brasil por ter feito um apelo pelas redes sociais na busca de médicos. Como se encontra essa questão hoje?

Prefeito Jesualdo Cavalcante: Eu diria que o problema está resolvido porque com esse grito despertou a pessoa das autoridades federais e passamos para o Programa Mais Médicos. Os médicos cubanos estão fazendo um excelente trabalho, hoje, porque onde eles trabalham se dedicam inteiramente nas horas de expediente para ajudar o próximo. Os outros médicos sempre têm mais de um contrato, sempre se vinculam a mais municípios e acabam deixando muito a desejar em termos de atendimento. Os médicos cubanos são empregados exclusivamente do trabalho direto de assistência voltada principalmente para a medicina preventiva. Onde eles funcionam, principalmente no interior, a aceitação é muito grande porque eles fazem visitas e não se limitam apenas a curar e receitar, eles também orientam quantos às normas de higiene e se tornam um membro da família já que as visitas são periódicas.

GP1: Nesse primeiro ano de administração o que foi possível realizar em Corrente?

Prefeito Jesualdo Cavalcante: Claro que com ajuda do Estado e do Governo Federal teríamos feito muito mais. Mas, o fato de mantermos um equilíbrio financeiro e não desviar recursos, evitar que outros desviassem também, já houve dinheiro suficiente para executar uma serie de obras tanto na cidade quanto no interior. Apesar dos pesares, porque todos sabem das dificuldades gerais dos municípios, ainda conseguimos fazer alguma coisa só com recursos municipais. Agora, tem que tem a mão forte e segura para evitar desvios e desperdícios, além de empregar os recursos naquilo que tem que empregado.

GP1: Prefeito quais as prioridades da cidade atualmente?

Prefeito Jesualdo Cavalcante: Temos preocupação grande com a saúde e com a educação que estava em frangalhos. Tanto que o resultado de uma inspeção feita pela Controladoria Geral da União, chegou ao ponto de constatar que durante o ano de 2012 as aulas não chegaram nem ao final e foram encerradas antes da eleição. Houve escolas que deveriam ter 200 dias de aula, mas só tiveram 77 dias de aula. Todo esse prejuízo nós estamos tentando tirar. Com uma política segura, com muita firmeza, colocando o professor efetivo para trabalhar. Os recursos do Fundeb estão aquém dos encargos de pagamento da folha da Educação. Fora esse reajuste que houve agora. Nossa folha gira em torno de R$ 800 mil reais e somado aos encargos isso chega R$ 1 milhão. No entanto, os recursos ficam em torno de R$ 700 a R$ 800. A Prefeitura tem que complementar e a nossa preocupação é sempre pagar em dia, tanto o pessoal da área da educação quanto em outras áreas do município. Conseguimos fazer isso a duras penas.

GP1: O senhor chegou a lançar livros sobre o Gurguéia, essa ideia de emancipação do Sul do Piauí ainda permanece?

Prefeito Jesualdo Cavalcante: Continua tão viva como no começo. Eu não vejo outra saída para o Estado do Piauí. Temos uma região com grandes potencialidades, mas, para transformar essas potencialidades em riqueza é necessário mais recursos. Analiso esse problema com muita cautela, sem paixão. O Piauí só será efetivamente viável se, primeiramente, viabilizar o Sul. Com recursos próprios do Estado fica mais difícil essa tarefa. Acho que o Piauí deixando a cargo do povo do Sul, seu próprio destino seria melhor. O Piauí gasta muito mais no Sul do que arrecada. Eu diria que o Sul não deixa de ser um ônus para o Piauí. Se o Sul passasse a ter vida própria haveria um realinhamento dos recursos.

GP1: Como senhor tem visto os candidatos postos a sucessão estadual?

Prefeito Jesualdo Cavalcante: Há expectativa que o meio politico deixe de se preocupar tanto com a campanha que está tão distante. Haveria de se preocupar, de fato, com as discussões de problemas reais que estão nas vistas de todo mundo. Acho que cada coisa ao seu tempo, O momento é de cuidar das prioridades que o Estado possui. As eleições deveriam ser tratadas somente no momento certo. Mas, infelizmente observamos um adiantamento dos fatos.

GP1: O senhor acredita que o PTB está no caminho certo ao se aliar ao PT e ao PP?

Prefeito Jesualdo Cavalcante: Pelo que vejo não sobrou alternativas ao PTB. O partido foi empurrado para esse caminho. O senador João Vicente deu ao PTB o direcionamento mais prudente diante do que foi desenhado.

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