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Política

‘Um salto para os evangélicos no Brasil’, diz André Mendonça

Novo ministro do STF fez aceno em seu primeiro pronunciamento após ser confirmado pelo Senado.
Por Estadão Conteúdo

O novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ressaltou nesta quarta-feira, dia 1, o peso de sua chegada à Corte para os evangélicos, em seu primeiro pronunciamento após ser confirmado pelo Senado. “É um passo para um homem, mas na história dos evangélicos do Brasil, é um salto. Um passo para um homem, um salto para os evangélicos”, disse o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-advogado-geral da União.

Mendonça disse que agora os evangélicos, cerca de 40% da população, serão representados por ele na Suprema Corte. Ele deu “glória a Deus” pela vitória na votação no Senado e agradeceu ao presidente Bolsonaro pela indicação. Afirmou, porém, que assumiu na sabatina “compromissos com a nação”.

No pronunciamento, o ministro Mendonça adotou tom mais proselitista do que durante a sabatina, quando fez concessões e disse que vai seguir a Constituição. Segundo ele, apesar de suas convicções religiosas, vai defender o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e a equiparação da homofobia ao crime de racismo. Depois, porém, afirmou que deve “tudo de sua vida a Deus”, inclusive o ato de respirar e pensar.

“Não somos melhores do que ninguém, mas também não somos piores. Nossa diferença não está em nós, mas Naquele que habita em nós. Queremos dizer ao povo brasileiro que o povo evangélico tem ajudado esse País, quer trabalhar por esse País e fazer desse País uma grande nação, fazer da Justiça brasileira uma referência. Sei que virão decisões em que serei criticado, e merecerei por certo por vezes ser criticado, mas podem ter a certeza que tentarei fazer do meu País um País mais justo.”

O novo ministro destacou o empenho de deputados e senadores da Frente Parlamentar Evangélica, por sua aprovação. Ele disse que a campanha foi “difícil”, mas que não abriu mão de seus princípios e valores e que teve o reconhecimento, “mesmo quando muita gente poderosa não acredita na gente”. “É uma demonstração de que quando um povo se une nós superamos todas as dificuldades”, afirmou.

“Faço aqui meu agradecimento ao deputado Cezinha Madureira, como presidente da Frente Parlamentar Evangélica, e aos senadores, que também são evangélicos”, afirmou, ao lado da relatora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

Entre a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário, Mendonça ficou no gabinete do senador Luiz do Carmo (MDB-GO), da bancada evangélica. Fiel da Igreja Batista Atitude, a primeira-dama Michelle Bolsonaro foi pessoalmente ao Senado dar apoio a Mendonça. Integrantes da bancada evangélica no Congresso, como os deputados Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e Marcos Feliciano (PL-SP), acompanharam todos os passos do novo ministro e ajudaram nos cálculos e articulações por votos.

Mendonça também comentou sobre o longo tempo que poderá ficar como ministro da Corte. Ele completa 49 anos no dia 27 de dezembro e a aposentadoria compulsória dos ministros acontece aos 75 anos. “Isso tudo é muito passageiro. Vocês podem pensar: ‘talvez ele passe 26 anos de sua vida no Supremo’. Isso passa em um piscar de olhos”, afirmou.

O novo magistrado estava ao lado da mulher e de seu casal de filhos e se emocionou ao dizer que tem apoio de uma “família unida”. Nascido em Santos (SP) e criado no interior paulista, disse que na infância era um “caminhava com uma bíblia debaixo do braço”, mas que se superou, sem saber outros idiomas, passou em faculdade e concursos públicos difíceis. Mendonça é servidor de carreira da Advocacia Geral da União e fez cursos superiores na Espanha.

“Isso traz um símbolo do valor da família para a sociedade, e em especial para o País. A grande transformação começa na família”, discursou Mendonça.

Ao ser perguntado se guardava mágoas do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), pela atuação contra sua escolha para o STF, Mendonça se limitou a dizer: “Deus abençoe”. Presidente da CCJ, Alcolumbre protelava a sabatina do agora ministro do STF desde julho, e agora entrou na mira de líderes religiosos.

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