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Política

Ciro Nogueira é empossado ministro da Casa Civil em Brasília

Ciro já havia sido nomeado no dia 28 de julho e desde então vinha trabalhando à frente da pasta.

O senador licenciado Ciro Nogueira foi empossado ministro da Casa Civil pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na tarde desta quarta-feira (04), durante cerimônia em Brasília. Ciro já havia sido nomeado na semana passada, no dia 28 de julho, e desde então vinha trabalhando à frente da pasta, considerada umas das mais importantes do Governo Federal.

Participaram da cerimônia de posse autoridades como a primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), os senadores do Piauí Marcelo Castro (MDB) e Elmano Férrer (PP), e ministros do Governo Federal.

Foto: Divulgação/AscomCiro Nogueira toma posse como ministro da Casa Civil
Ciro Nogueira toma posse como ministro da Casa Civil

Em seu discurso, Ciro Nogueira afirmou que está chegando no coração do Governo Federal para tentar conter “abalos” políticos que porventura possam surgir. Em determinado momento, o ministro se dirigiu ao presidente Jair Bolsonaro e disse que gostaria de ser encarado como uma espécie de “amortecedor” desses abalos.

“Senhor presidente, sabemos que a política muitas vezes provoca choques, tremores e abalos e, se me permite a comparação um tanto quanto fora dos protocolos, eu gostaria que toda vez que vossa excelência me visse, lembrasse de um amortecedor, porque assim eu vou ser mais útil ao meu país. Nesse momento de tantas trepidações, eu quero contribuir tal aquele equipamento que pode estabilizar, diminuir as tensões, ajudar para que essa viagem seja mais serena, estável e confortável para todos”, declarou.

O general Luiz Eduardo Ramos, que deixou a Casa Civil para assumir a Secretaria-Geral da Presidência, ressaltou a amizade de longa data com Jair Bolsonaro e falou de sua lealdade incondicional para com o presidente. “Termino mais essa missão muito especial confiada pelo presidente da República, um amigo de tantas jornadas memoráveis, desde a época da escola preparatória de cadetes do Exército e ao longo da vida, junto ao qual sempre manterei e renovarei minha lealdade absoluta, saio fortalecido pela certeza da missão cumprida e parto para um novo desafio, onde o presidente julgou importante minha presença”, afirmou.

Com a palavra, Bolsonaro reforçou que a posse de Ciro Nogueira simboliza o desejo do Governo Federal de estreitar laços com o Congresso Nacional. “A chegada do Ciro Nogueira é uma demonstração por parte do Governo que nós queremos cada vez mais aprofundar o relacionamento com o parlamento, e não é a primeira vez que eu digo que legislativo e executivo na verdade são um só poder”, destacou.

Novo Bolsa Família

Na oportunidade, Bolsonaro aproveitou para falar da proposta que visa aumentar o valor do programa Bolsa Família. "Estamos aprofundando de modo que tenhamos um novo programa, Auxílio Brasil, pelo menos 50% maior que o Bolsa Família. Eu falo 50%, porque os outros 50% vou deixar para o Paulo Guedes anunciar", cravou o presidente.

“Meu nome é temperança”

Ciro Nogueira fez questão de frisar que seu trabalho na Casa Civil será pautado pela temperança e pelo equilíbrio. “Meu nome, senhor presidente, é temperança, o meu sobrenome tem que ser equilíbrio”, colocou.

Casa Civil

No mês passado, Ciro Nogueira começou a ser cotado para assumir um cargo no Planalto, o que acabou se concretizando com o convite do presidente Bolsonaro, que foi aceito pelo então senador no dia 21 de julho. No dia 28 de julho, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a nomeação de Ciro, assinada pelo presidente da República. Com isso, a mãe do agora ministro, Eliane Nogueira, assumiu a vaga deixada pelo filho no Senado Federal.

Leia na íntegra o discurso de Ciro Nogueira:

Teria sido mais fácil!

Teria sido mais fácil, sim, não enfrentar este desafio neste momento de tantas dificuldades, de tanta radicalização, de tantas críticas.

Teria sido mais fácil.

Teria sido mais fácil, senhor Presidente, me acovardar com um pretexto qualquer, ao receber o cativante e honroso convite de vossa Excelência para integrar o governo, num momento em que tudo está difícil.

Em que o mundo está difícil, a economia está difícil, as pessoas estão difíceis, a realidade está difícil, o Brasil está difícil, a política está difícil, em que o difícil parece ser o novo normal.

Teria sido mais fácil, senhor Presidente, continuar exercendo as minhas funções de senador da República pelo meu amado estado do Piauí, sabendo que poderia, sempre, contar com a lealdade e o prestígio que nunca me faltaram de Vossa Excelência para levar benefícios para os piauienses e realizar, assim, um mandato produtivo como senador.

Tudo isso teria sido mais fácil, senhor Presidente. Mas não teria sido o mais certo.

E essa é a grande questão na vida pública. Não se trata de uma escolha entre o mais fácil e o mais difícil. Mas entre fazer o mais certo. Entre o certo e o errado.

Eu tive a honra de aceitar o convite de Vossa Excelência para assumir a chefia da Casa Civil da Presidência da República, nestes momentos incertos que o país vive, porque isso é o mais certo. Porque, com a minha presença, me somando à equipe de seus ministros e ministras, nós vamos ajudar o Brasil a dar os sinais certos para onde nós estamos indo.

O primeiro deles, senhor Presidente, e que não tenham dúvida: a democracia é líquida e certa. Difícil por natureza, mas é a coisa certa. E é por ela que estou aqui, é por ela que todos estamos aqui, é por ela que Vossa Excelência está aqui: para cuidarmos dela, para zelarmos por ela, para aprofundarmos na diversidade, nas diferenças a nossa realidade democrática.

Minhas amigas e meus amigos,

Este momento representa um ponto de inflexão importante e digno de destaque. A travessia de seu governo, senhor Presidente, durante a maior pandemia da história da humanidade, produziu ondas e abalos gigantescos. Graças ao maior programa assistencial da história do Brasil, os brasileiros não ficaram à deriva. A vacinação agora avança e, em breve, teremos todo o nosso país completamente imunizado e a economia pronta para crescer.

Estamos cruzando o cabo das Tormentas. Das tormentas políticas, das tormentas sociais, econômicas e institucionais. Vossa Excelência é nosso timoneiro, e eu serei como aquele ajudante que estará constantemente ao seu lado, avisando dos perigos no percurso, tentando ajudar a enxergar em meio à névoa e querendo, sempre, auxiliá-lo a encontrar o rumo certo.

Temos agora, até o fim do seu atual governo, um período que conduzirá às eleições de 22. E é nosso dever preparar o país para chegar às eleições da forma certa, com a economia no prumo certo, com a política ajustada da maneira certa, com a vacinação garantida e certa para todos os brasileiros, com o programa de assistência social certo para que os brasileiros não vivam momentos incertos. E, principalmente, com os indicadores econômicos cada vez mais mostrando que o Brasil está dando certo.

Presidente, nós todos sabemos o quanto tudo isso é difícil. Mas eu tenho certeza, Presidente, de que sob a sua liderança nós vamos fazer o que é certo, pois muito do que já está sendo feito é o certo. E no momento certo haverá uma compreensão cada vez mais correta por parte dos brasileiros de tudo de certo que o governo já está fazendo.

E o que é certo, senhor Presidente, pode não ser o mais fácil, pode não ser o aplauso momentâneo. O que é certo pode não ser o mais popular circunstancialmente. O que é certo pode ser muito criticado, pode ser incompreendido.

O que é certo, senhor Presidente, pode ser muitas vezes atacado. O que é certo pode ser vítima de todo o tipo de injustiças e preconceitos. O que é certo pode sofrer todo tipo de dificuldade. Mas ao final, senhor Presidente, a história mostra que, o que é o certo é, e será sempre, o certo.

O certo será reconhecido. O certo será aclamado. O certo será respeitado no momento certo. E é com essa certeza, senhor Presidente, que eu assumo esta difícil missão, mas no lugar certo, para cumprir o dever certo para com o país.

Senhor Presidente,

Não existe um vocabulário da esquerda e outro da direita. Existe, sim, o Brasil e os seus problemas, que temos de enfrentar. Fome e miséria. Não temos vergonha de falar essas palavras. Temos vergonha é que elas continuem existindo e que tenham se ampliado já na crise econômica que o senhor herdou, iniciada em meados da década passada.

E a resposta do seu governo não foram palavras: foram quase dez anos de bolsa família em auxílio assistencial num único ano, para que a fome e a miséria não exterminassem parte dos brasileiros que mais precisavam.

Não temos vergonha de falar em desigualdade social. Temos vergonha é que, apesar dos que nos antecederam, ela ainda continue existindo. E por isso o governo de Vossa Excelência lançará um ambicioso e amplo programa social, com valores mais altos dos benefícios.

Emprego: isso faz parte do nosso vocabulário. Apesar de todas as dificuldades que o seu governo enfrentou e enfrenta, com as reformas e, agora, com a recriação do Ministério do Trabalho e Previdência, vamos acelerar a geração de empregos, vamos acelerar a economia. Seu governo não é de palavras, Presidente. Seu governo não é de palanques. Seu governo é de ações. E são as ações que serão julgadas, no momento certo.

Não posso deixar de ressaltar o simbolismo da escolha de meu nome, por conta de minha origem, que muito me orgulha, para ocupar talvez a função mais delicada e exposta que um político pode exercer, sem ser votado, a de Chefe da Casa Civil.

Vossa Excelência trouxe para cá um nordestino. E não apenas um nordestino. Um nordestino do historicamente esquecido, mas sempre guerreiro e altivo estado do Piauí.

Minha origem é de Pedro Segundo, cidade que guarda as minhas raízes e, aqui, quando a copa de minha trajetória política alcança as altitudes do Planalto, mais do que nunca tenho de olhar para as minhas raízes.

Sua escolha, senhor Presidente, homenageia todos os nordestinos, homenageia todos os piauienses em particular. Podemos dizer que vossa Excelência trouxe para o coração de seu governo um nordestino, para compartilhar com ele uma parte das importantes decisões que tem de tomar.

O Nordeste está no núcleo do poder, Presidente, por decisão sua. Enquanto nordestino, quero agradecer em nome de todos os meus irmãos e irmãs da minha região por essa grande demonstração de confiança no nosso povo do Nordeste.

Senhor Presidente, como todos sabemos, a política muitas vezes provoca choques, tremores, abalos.

E, se me permite uma comparação um tanto fora dos protocolos, eu gostaria que toda vez que Vossa Excelência me visse, lembrasse de um amortecedor.

Acho que é assim que posso ser mais útil ao Brasil, ao governo de Vossa Excelência, à política e às instituições neste momento de grandes trepidações.

Eu quero contribuir tal qual aquele equipamento, que pode estabilizar, diminuir as tensões, ajudar para que esta viagem seja mais serena, estável e confortável para todos.

Meu nome é temperança, meu sobrenome tem de ser equilíbrio.

Não posso deixar de evocar, por fim, a maior figura da história política de meu estado, com quem tenho laços de família, o arquiteto da Democracia, Petrônio Portella, tio-avô de minhas filhas. Fonte de inspiração para todos e para mim, sempre senti a presença próxima de seu exemplo marcante. Lembro-me de que dizia:

- Em mim, graças a Deus, existe um fator que considero fundamental para um político: a coragem. Coragem que resiste a tudo. Coragem que vence a todas as condições que normalmente levariam qualquer pessoa ao desespero.

Que a coragem e a sabedoria de Petrônio me guiem e me iluminem.

Petrônio, aliás, sempre foi sinônimo da conciliação e da democracia, mesmo nos momentos mais incertos. Petrônio ficou a favor do presidente Joao Goulart, mas, amigo do presidente Castello Branco, não foi excluído e entrou para a Arena, onde se tornou parceiro de Geisel, como presidente do Senado, e de Figueiredo, na transição para a democracia.

Senhor Presidente, o sábio Petrônio nos deixou a lição de que não há problema em mudar de opinião. Mudar de opinião não é contradição. Desde que seja para melhor.

Conte com este amortecedor para que o ambiente, por vezes agitado dos nossos tempos, tenha neste seu leal servidor alguém sempre comprometido com a pacificação, a estabilização, a unidade.

Tenho certeza de que o Brasil está inevitavelmente predestinado a cumprir a profecia de ser um país onde o certo sempre irá vencer o difícil. E é com esse espírito, senhor Presidente, que venho me somar ao governo de Vossa Excelência.

Deus abençoe a todos nós.

O Brasil acima de tudo.

Deus acima de todos.

Viva o povo brasileiro.

Muito obrigado.

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