O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que brasileiros teriam agido de forma imprudente ao tentar “ameaçar ou intimidar” autoridades nacionais, em meio às investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Rodrigues, essas ações refletem equívocos de indivíduos que acreditam poder interferir em decisões da Justiça e da segurança pública do país.
Desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Andrei Rodrigues tem adotado um tom alternadamente firme e cauteloso ao comentar as investigações dos atos de 8 de janeiro de 2023, considerados o ápice do suposto plano golpista. Para o diretor, o episódio evidencia que pressões externas ou internas não devem influenciar o trabalho da Polícia Federal.
"Esse é um momento que há de passar, de um outro país achar que pode intervir em questões internas do Brasil. Ou de tresloucados brasileiros que viajam para o exterior acreditando que irão ameaçar ou intimidar e que com isso irão fazer com que a gente deixe de cumprir nosso papel”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo publicada nesta sexta (3).
Rodrigues também se manifestou sobre a possibilidade de sanções internacionais, mencionando medidas impostas pelo governo norte-americano, como tarifas sobre importações brasileiras, que teriam relação com o julgamento de Bolsonaro e que, na visão do diretor, configuram uma tentativa de intervenção em assuntos internos do país.
As apurações que levaram à condenação do ex-presidente se basearam, entre outros elementos, na delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, além de provas como registros de câmeras de segurança e estações de rádio-base. Segundo Andrei Rodrigues, a combinação dessas evidências tornou possível comprovar a participação de indivíduos no suposto esquema de golpe.
Caroline Vitorino
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