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Política

Geraldo Alckmin contraria Lula sobre negociar minerais críticos com EUA

Lula já havia alfinetado os EUA naquele dia, com a afirmação de que “aqui ninguém põe a mão”.

Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ao dizer que o Brasil pode negociar minerais críticos com os EUA, contrariou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tentar reverter as tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump, previstas para entrar em vigor no dia 1.º de agosto.

O vice-presidente declarou, na noite de quinta-feira (24), em conversa com jornalistas, que conversou longamente com Howard Lutnick, secretário de Comércio dos EUA, no último sábado (19). Com o objetivo de reverter a tarifa, conforme o vice-presidente, a conversa foi focada na disposição do Brasil para negociar.

Foto: Fernando Frazão/Agência BrasilLula e Geraldo Alckmin
Lula e Geraldo Alckmin

Há uma pauta ampla a ser negociada com os Estados Unidos, segundo Alckmin. Apesar de não antecipar detalhes da conversa, o vice-presidente não descartou que as negociações envolvam minerais críticos e estratégicos, como lítio, nióbio e terras raras.

“Aqui ninguém põe a mão”

As declarações de Lula, feitas um pouco antes, ainda na tarde daquela quinta-feira, vão de encontro às do vice-presidente. De forma enfática, em tom de crítica aos EUA, Lula afirmou que “aqui ninguém põe a mão”, referindo-se aos recursos brasileiros, incluindo os minerais críticos.

“Nós temos a maior floresta do mundo para proteger. [...] Temos todo o nosso petróleo, todo o nosso ouro, temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger, e aqui ninguém põe a mão. A única coisa que eu peço é que o governo americano respeite o povo brasileiro como eu respeito o povo americano”, afirmou Lula em um evento do governo.

Interesse dos EUA em metais críticos

Na mesma quinta-feira, o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, mencionou, durante visita ao Instituto Brasileiro de Mineração, o interesse dos EUA nos minerais críticos e estratégicos do Brasil.

O vice-presidente havia se reunido com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) — Minas é um dos polos da indústria da mineração no país.

“O setor minerário é um que nós recebemos. É outro setor que exporta para os Estados Unidos apenas 3%, mas importa em máquinas e equipamentos mais de 20%. O que mostra, de novo, enorme superávit [dos norte-americanos] na balança comercial”, disse o vice-presidente aos jornalistas.

Além de ser fundamental para o desenvolvimento tecnológico, os minerais críticos impactam áreas como a defesa e também a transição energética, já que elementos como lítio, cobalto e níquel são usados na fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

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