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Política

Senado Federal mantém sigilo de 100 anos sobre visitas do Careca do INSS

CGU defende o acesso público aos registros de entrada e saída em órgãos públicos por interesse social.

Foi mantido sigilo de 100 anos, pelo Senado Federal, sobre os registros de entrada de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS" em suas dependências. Já a Câmara dos Deputados informou que não há registros de entrada do lobista desde 1º de janeiro de 2019. As informações são do Metrópoles.

O Senado usou como justificativa oficial, a proteção de dados pessoais, conforme o Decreto nº 7.724/2012 e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garantem confidencialidade a informações que identifiquem pessoas naturais.

Foto: Jonas Pereira/Agência SenadoPlenário do Senado
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Divergências

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não se pronunciou sobre a decisão de manter o sigilo centenário. A medida adotada pelo Senado diverge do entendimento da Controladoria-Geral da União (CGU), que defende a divulgação da relação de visitantes de órgãos públicos.

A CGU afirmou que “há interesse público na divulgação da relação de pessoas que adentraram nas dependências de órgãos públicos”, destacando que “o cotejamento dos registros de entrada/saída com a publicação das agendas de autoridades, prevista no artigo 11 da Lei nº 12.813/2013 (Lei do Conflito de Interesses), permite identificar eventuais irregularidades e indicar conflitos de interesse no exercício do cargo ou função pública.”

Em 13 de março de 2023, o Careca do INSS esteve em reunião no gabinete do atual secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal. Na ocasião, Portal chefiava a Secretaria do Regime Geral de Previdência Social, e o encontro não constava na agenda oficial.

Segundo explicou o secretário, ele não conhecia o lobista, mas o recebeu por indicação de uma assessora, pois acompanhava um representante de correspondente bancário.

"Farra do INSS"

O lobista é apontado como figura central no escândalo da "Farra do INSS", que envolve descontos indevidos em beneficiários da instituição e que já está sendo investigado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). O escândalo provocou a queda do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT-RJ).

Mais de R$ 50 milhões foram movimentados pelo “Careca do INSS”. Os prejuízos são estimados em R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas, segundo a Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes. Além disso, foram apreendidos com Antonio Carlos cinco carros de luxo, avaliados em R$ 3,29 milhões, incluindo um Porsche e dois BMWs, pela Polícia Federal.

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