A ONG Transparência Internacional classificou como “extremamente grave” o fato de uma assessora do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara, ter acesso a dados que permitem movimentar recursos de funcionários ligados ao gabinete. A entidade publicou uma nota nas redes sociais levantando dúvidas sobre os poderes concedidos à chefe de gabinete Ivanadja Velloso Meira Lima, que responde a processo por improbidade administrativa.
Na publicação, a organização indaga por que o parlamentar mantém em posição de confiança uma pessoa sob investigação judicial e por qual motivo ela recebeu procurações que a autorizam a realizar saques e movimentações bancárias em nome de servidores.
Extremamente grave.
— Transparência Internacional - Brasil (@TI_InterBr) August 15, 2025
Por que o presidente da Câmara mantém como chefe de gabinete uma pessoa ré por improbidade administrativa?
E por que Ivanadja, essa chefe de gabinete, possui procuração para sacar os salários de funcionários do deputado @HugoMottaPB? pic.twitter.com/6ImFjouW8w
As críticas ganharam repercussão após reportagem publicada pelo colunista Tácio Lorran, do site Metrópoles. Segundo o jornalista, Ivanadja Velloso detém procurações de ao menos dez funcionários e ex-funcionários do gabinete de Motta. Esses documentos, registrados em cartórios da Paraíba desde 2011, concedem poderes “amplos e ilimitados” para movimentações financeiras, inclusive retiradas em espécie.
O levantamento aponta que os servidores envolvidos acumularam mais de R$ 4 milhões em salários desde que foram lotados no gabinete do deputado. Parte desses valores teria sido gerida diretamente pela chefe de gabinete.
Ivanadja já responde a processo na Justiça Federal por suspeita de envolvimento em esquema de rachadinha no gabinete do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), aliado político de Hugo Motta. De acordo com a acusação, ela chegou a administrar a conta de um funcionário que nunca trabalhou em Brasília e sequer sabia o valor de sua remuneração.
Até o momento, nem Hugo Motta nem sua assessoria se pronunciaram publicamente sobre as denúncias.
Caroline Vitorino
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