A relação entre Brasil e Israel registrou novos episódios de tensão nas últimas semanas, após o governo brasileiro decidir retirar o país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e declarações duras de autoridades israelenses contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A saída do Brasil, membro da aliança desde 2021, foi interpretada em Jerusalém como um afastamento do combate ao antissemitismo, provocando reação da comunidade judaica e de lideranças políticas no país.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, publicou em 26 de agosto uma mensagem em português nas redes sociais classificando Lula como “antissemita declarado e apoiador do Hamas”, associando o presidente brasileiro ao líder supremo do Irã em uma montagem feita por inteligência artificial. O Itamaraty respondeu qualificando as declarações como “ofensas, inverdades e grosserias inaceitáveis” e explicou que a decisão de deixar a IHRA buscou evitar que a definição de antissemitismo fosse utilizada para restringir críticas à política de Israel, incluindo qualquer defesa da Palestina.
Enquanto o governo federal se distanciava da aliança, governadores reforçaram vínculos com a comunidade judaica. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul aderiram oficialmente à definição da IHRA, adotada por doze estados, como referência para identificar e prevenir manifestações antissemitas. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) aponta que denúncias de antissemitismo cresceram quase 600% desde o início do conflito entre Israel e Hamas, em outubro de 2023.
Especialistas e representantes pró-Israel, como a organização StandWithUs e o advogado e militar Rafael Rozenszajn, destacam que a política externa brasileira atual rompeu com a tradição de equilíbrio e acentuou a percepção de isolamento do país na luta internacional contra o antissemitismo. Rozenszajn, com experiência nas Forças de Defesa de Israel, alerta para a influência da desinformação na mídia sobre o conflito e defende que a guerra informacional é tão determinante quanto as operações militares, reforçando o impacto das narrativas na opinião pública brasileira.
Caroline Vitorino
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