Um dos conselheiros políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o Partido dos Trabalhadores pode cometer um equívoco ao minimizar o peso eleitoral do senador Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa presidencial. Para o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, o sobrenome Bolsonaro mantém força consolidada junto a parte significativa do eleitorado, o que reduziria o impacto de críticas durante a campanha.
Na avaliação do ex-deputado, a rejeição ao grupo político já estaria estabilizada, tanto no campo bolsonarista quanto no entorno de Lula, o que limitaria mudanças expressivas nesse cenário. Ele considera que apostar apenas no desgaste do adversário pode não ser suficiente para alterar o quadro eleitoral.
"A rejeição do Flávio, ou dos Bolsonaro, é uma rejeição já medida, precificada. Sabemos que qualquer coisa que a gente jogar no Flávio não vai pegar, porque a rejeição já está no limite, assim como a do Lula", disse em entrevista ao Estadão publicada nesta quarta (18).
Cunha também compara o cenário com o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado por ele como um nome ainda em processo de consolidação nacional. Para o conselheiro, um candidato menos conhecido pode apresentar maior margem de variação na taxa de rejeição à medida que amplia sua exposição fora do estado.
“O Tarcísio é um candidato novo, meio desconhecido no Brasil, um carioca que deu certo em São Paulo, não tem charme, não tem carisma. [...] Ter apoio da Faria Lima [coração financeiro do país, em São Paulo] não significa ter apoio do Amazonas, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia. O candidato da Faria Lima invariavelmente perde a eleição”, disparou.
O ex-parlamentar ainda defende que o governo deveria ter intensificado mais cedo a articulação com partidos de centro para ampliar alianças. Segundo ele, a formação de uma base mais ampla pode ser determinante em uma eleição que, na sua projeção, tende a ser marcada por forte polarização e disputas intensas no ambiente digital.
“Eu acho que nós perdemos um pouco do tempo. Isso que o pessoal da direção do PT e do governo está fazendo agora, ir atrás de MDB, PSD e de todos os partidos de centro, se a gente tivesse começado isso há um ano, um ano e pouco atrás, talvez estivéssemos em uma situação um pouco melhor”, considera.
Caroline Vitorino
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