O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, por decisão unânime, a cassação do mandato do deputado estadual Renan Bekel (Republicanos-RR), nesta sexta-feira (10), por compra de votos nas eleições de 2018.
O parlamentar havia recorrido contra decisão da Justiça Eleitoral de Roraima, que já havia determinado a perda do cargo em primeira instância. Durante o período de tramitação dos recursos, Bekel conseguiu permanecer no mandato. Com a decisão definitiva do TSE, além de perder a cadeira na Assembleia Legislativa de Roraima, ele também foi condenado ao pagamento de multa de R$ 53 mil.
A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que identificou um esquema estruturado de compra de votos em benefício da candidatura do deputado. Segundo o órgão, a prática envolvia uma organização hierarquizada entre “líderes” e “liderados”.
De acordo com as investigações, os chamados líderes — cabos eleitorais — recebiam cerca de R$ 250 para organizar grupos de eleitores, enquanto os liderados recebiam R$ 100 em troca do voto no candidato. O esquema incluía ainda a elaboração de listas e a realização de telefonemas que simulavam pesquisas eleitorais, como forma de confirmar a escolha dos eleitores.
“A recompensa financeira só era entregue àqueles que confirmassem o nome de Renan Bekel como o escolhido”, destacou o Ministério Público.
O vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, afirmou que o esquema teria movimentado mais de R$ 1 milhão e destacou a robustez das provas apresentadas.
“A minúcia com que o amplo esquema de compra de votos foi descortinado não deixa dúvidas quanto à oferta, promessa e entrega de bens durante o período eleitoral com o fim específico de obter o voto de grupo determinado de eleitores em benefício da candidatura do político. O conhecimento e a participação direta do candidato também são inequívocos”, afirmou.
Com a decisão do TSE, o caso é considerado encerrado na esfera eleitoral, consolidando a cassação do mandato do parlamentar.
Wanessa Gommes
Ver todos os comentários | 0 |