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Política

Câmara dos Deputados aprova projeto que acaba com sigilo sobre gastos de viagens do Governo Federal

A matéria, de autoria de parlamentares da oposição, agora será analisada pelo Senado Federal.

A Câmara dos Deputados aprovou, nessa quinta-feira (21), um projeto de lei que reforça a transparência sobre despesas públicas realizadas por autoridades do Governo Lula, proibindo a imposição de sigilo sobre gastos com viagens oficiais, diárias, passagens e compras efetuadas por meio de cartão corporativo.

A matéria, de autoria de parlamentares da oposição, agora será analisada pelo Senado Federal e altera dispositivos da Lei de Acesso à Informação (LAI), com o objetivo de restringir brechas legais que atualmente permitem manter determinadas despesas sob sigilo por vários anos.

Foto: Ricardo Stuckert/SecomCâmara dos Deputados aprova projeto da oposição que acaba com sigilo sobre gastos de viagens do governo
Câmara dos Deputados aprova projeto da oposição que acaba com sigilo sobre gastos de viagens do governo

Pelo texto aprovado, despesas relacionadas a hospedagem, alimentação, transporte, representação oficial, passagens aéreas, diárias e pagamentos com cartão corporativo deverão ser obrigatoriamente públicas, independentemente do cargo ocupado pela autoridade.

A proposta estabelece ainda que, mesmo em situações envolvendo deslocamentos considerados sensíveis, apenas dados operacionais poderão ser resguardados, como rotas, escalas, meios de transporte utilizados e quantidade de pessoas envolvidas. Os valores gastos, no entanto, deverão ser divulgados obrigatoriamente.

Outro ponto relevante é a ampliação do acesso às informações financeiras ligadas ao presidente e ao vice-presidente da República, incluindo despesas relacionadas a familiares, como cônjuges e filhos. Atualmente, parte desses dados pode permanecer sob restrição até o término do mandato presidencial.

O projeto também cria limites para o uso da proteção de dados pessoais como justificativa para esconder despesas custeadas com recursos públicos. Embora permaneça resguardada a proteção à intimidade, honra e imagem, os gastos realizados com dinheiro público deixam de ser considerados informação privada.

Revisão automática e mais fiscalização

A proposta endurece ainda as regras para documentos classificados como secretos e ultrassecretos no âmbito do Poder Executivo.

Pela nova redação, se a Comissão Mista de Reavaliação de Informações não se manifestar em até 120 dias sobre um pedido de revisão, o sigilo será automaticamente retirado.

O texto também amplia o papel do Congresso Nacional no controle dessas classificações. Com aprovação de decreto legislativo, Câmara e Senado poderão revisar decisões do Executivo e modificar classificações impostas pela comissão responsável.

A proposta retoma um dispositivo retirado da legislação em 2011, durante a sanção da então presidente Dilma Rousseff (PT), que limitou a participação de outros Poderes na análise sobre informações sigilosas.

Sanções para uso indevido do sigilo

Além das novas exigências de publicidade, o projeto estabelece punições para agentes públicos que utilizarem o sigilo para ocultar irregularidades ou obter benefício pessoal.

Nesses casos, a conduta poderá ser enquadrada como improbidade administrativa, sujeitando o responsável a penalidades como perda da função pública e inelegibilidade por até cinco anos.

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