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Política

Aécio Neves desiste de disputar a Presidência da República e PSDB não terá candidato ao Planalto pela 2ª vez

Deputado deve disputar o Senado por Minas após abrir mão da corrida ao Palácio do Planalto.

O deputado federal Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, decidiu não disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. Com a desistência, o partido caminha para ficar sem candidato próprio ao Palácio do Planalto pela segunda eleição consecutiva, sendo a segunda vez desde sua fundação, em 1988. Segundo informações apuradas pela Revista Oeste, Aécio concluiu que uma candidatura de centro não teria espaço diante da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que lideram os principais levantamentos de intenção de voto.

Outro fator que pesou na decisão foi o desempenho do tucano nas pesquisas de rejeição. Os levantamentos mais recentes colocam Aécio entre os nomes com maior resistência do eleitorado, cenário que contribuiu para que ele abrisse mão da disputa presidencial. Na semana passada, a agência AtlasIntel/Bloomberg divulgou uma pesquisa que aponta Aécio com 54% de rejeição, o maior índice entre os possíveis candidatos à Presidência. Flávio Bolsonaro aparece logo atrás, com 53%, enquanto Lula registra 48,6%. Considerando a margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos, os três nomes estão tecnicamente empatados no indicador de rejeição.

Foto: Divulgação/Câmara dos DeputadosAécio Neves
Aécio Neves

Outro levantamento, realizado pelo instituto Nexus e divulgado no fim de junho, mostrou que 60% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Aécio em nenhuma circunstância. No mesmo estudo, Flávio Bolsonaro aparece com 51% de rejeição e Lula com 49%.

PSDB deve repetir cenário de 2022

Sem Aécio na disputa, a tendência é que o PSDB volte a não apresentar um candidato próprio ao Planalto. Na eleição de 2022, o partido chegou a trabalhar pela candidatura do ex-governador de São Paulo, João Doria. A articulação, no entanto, perdeu força diante da falta de apoio interno. No primeiro turno, os tucanos optaram por apoiar Simone Tebet (MDB), que encerrou a disputa em terceiro lugar, com 4,16% dos votos válidos.

Desde sua criação, o PSDB havia lançado candidatos próprios em todas as eleições presidenciais até então. A estreia aconteceu em 1989, com Mário Covas, que terminou a disputa na quarta colocação. A primeira vitória veio em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente ainda no primeiro turno. Ele repetiu o feito em 1998 e permaneceu no comando do país até 2002.

A partir daquele ano, os tucanos passaram a acumular derrotas para o PT nas eleições presidenciais. José Serra perdeu para Lula em 2002 e voltou a ser derrotado em 2010, desta vez por Dilma Rousseff. Em 2006, Geraldo Alckmin também foi superado por Lula no segundo turno.

Já em 2014, Aécio Neves representou o PSDB na disputa presidencial, mas acabou derrotado por Dilma Rousseff no segundo turno por uma diferença de pouco mais de três pontos percentuais. A última candidatura própria da legenda ocorreu em 2018, quando Geraldo Alckmin voltou a disputar a Presidência e terminou apenas na quarta colocação, com 4,76% dos votos válidos, atrás de Jair Bolsonaro, Fernando Haddad e Ciro Gomes.

Para 2026, Aécio defendia que o PSDB lançasse Ciro Gomes, recém-filiado novamente ao partido, como candidato ao Planalto. O ex-ministro, porém, recusou o convite e optou por disputar o Governo do Ceará, onde avalia ter maiores chances de vitória. Ciro já concorreu à Presidência em quatro oportunidades: 1998, 2002, 2018 e 2022.

Segundo a Revista Oeste, a direção nacional do PSDB deve liberar seus filiados para apoiarem o candidato de preferência na disputa presidencial. A estimativa é de que cerca de 70% dos pré-candidatos da legenda nos estados apoiem Flávio Bolsonaro, enquanto outros 30%, concentrados principalmente no Nordeste, tendem a declarar apoio a Lula ou permanecer neutros.

Aécio mira vaga no Senado

Com a desistência da corrida ao Palácio do Planalto, Aécio Neves passou a avaliar uma candidatura ao Senado por Minas Gerais. O parlamentar já ocupou uma cadeira na Casa entre 2011 e 2019.

Pesquisas de intenção de voto indicam que o tucano aparece entre os nomes competitivos para a disputa. Levantamento da Quaest, divulgado no fim de abril, mostrou Aécio com 11% das intenções de voto em dois cenários testados. Ele aparece atrás apenas da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que registra 19%.

Também figuram entre os principais nomes para a eleição ao Senado em Minas Gerais o senador Carlos Viana (PSD), com índices entre 10% e 15%, conforme o cenário, e o deputado federal Domingos Sávio (PL), que alcança 8% em todas as simulações da pesquisa.

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