Os preços dos medicamentos vendidos no Piauí poderão ser reajustados em até 4,6% a partir desta semana, com a entrada em vigor da atualização anual autorizada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A medida passa a valer no dia 1º de abril e define novos limites para os valores praticados em farmácias de todo o país.
O percentual de aumento varia conforme o nível de concorrência de cada produto. Medicamentos com maior competitividade no mercado, como os genéricos, podem atingir o teto de 4,6%. Já aqueles com concorrência intermediária devem ter reajuste médio de cerca de 3,25%, enquanto os de menor concorrência terão elevação mais restrita, podendo chegar a 1,9%.
Os índices levam em conta a inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registrou alta de 3,81% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até fevereiro de 2026.
Além da inflação, o cálculo considera fatores técnicos, como o chamado Fator X, relacionado à produtividade do setor farmacêutico, fixado em 2,683%. Já os fatores Y e Z, que tratam de ajustes de custos e concorrência, não tiveram impacto neste ciclo.
Aumento não é automático
Apesar do percentual máximo autorizado, o reajuste não ocorre de forma automática. Os valores definidos pela CMED funcionam como um limite, ou seja, cabe aos laboratórios decidir se irão aplicar o aumento e em qual proporção.
A política de preços envolve três referências principais: o Preço Fábrica (PF), definido pelas indústrias; o Preço Máximo ao Consumidor (PMC), praticado nas farmácias; e o Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG), utilizado em compras públicas. O reajuste incide sobre o PMC, o que permite variações de preço entre diferentes estabelecimentos, conforme descontos e estratégias comerciais.
Nem todos os medicamentos entram na regra
Alguns produtos ficam fora do reajuste anual. É o caso de medicamentos fitoterápicos, determinados itens isentos de prescrição com ampla concorrência e produtos homeopáticos.
Mesmo com a possibilidade de aumento mais elevado em parte dos remédios, os genéricos continuam sendo uma alternativa mais acessível. Por não incluírem custos de pesquisa e desenvolvimento, esses medicamentos costumam ter preços menores.
Izabella Furtado
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