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Colunista Brunno Suênio
Jornalista do GP1
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Aposentados têm dados vazados da Dataprev e viram alvo de esquema fraudulento

A Dataprev reconheceu ao TCU o "comprometimento" de 400 senhas de acesso aos seus sistemas.

Um esquema fraudulento bilionário tem explorado, de forma organizada, a vulnerabilidade de aposentados e pensionistas em todo o Brasil. Investigações da Polícia Federal apontam que diversas entidades, em conluio com bancos, autoridades e até advogados, utilizaram dados sigilosos vazados da Dataprev para implantar uma verdadeira indústria de golpes.

Investigações apontam que bases de dados da Dataprev — órgão responsável por processar informações da Previdência Social — eram vazadas e revendidas a entidades. De posse dessas informações, que incluíam dados pessoais e bancários dos segurados, o esquema estruturava operações de grande escala. Alvo de uma inspeção de auditores do Tribunal de Contas da União, entre janeiro e agosto de 2023, a Dataprev reconheceu o "comprometimento" de 400 senhas de acesso aos seus sistemas.

Estrutura criminosa

As entidades fraudadoras não atuavam de forma isolada. Muitos desses grupos montaram centrais telefônicas profissionais e até “QGs” administrativos, onde equipes treinadas ligavam para aposentados oferecendo supostos serviços de adesão ou benefícios. Com os dados em mãos, bastava formalizar propostas fraudulentas, registrando descontos diretos em folha de pagamento, tudo com averbação na própria Dataprev.

O papel dos bancos

Bancos parceiros também tiveram papel crucial. Relatórios de investigações apontam que essas instituições forneciam os chamados LEDS (listas de empréstimos consignados disponíveis), que serviam de munição para ampliar a base de vítimas. Assim, promotoras e correspondentes bancários, chamados de “clientes” dentro do próprio esquema, entravam em ação para caçar novas vítimas e multiplicar os contratos.

Bilhões em circulação

O resultado foi um fluxo de dinheiro sem precedentes. Estima-se que o esquema movimentou bilhões de reais, abastecendo o luxo e a ostentação dos envolvidos. Casas de alto padrão, carros de luxo e influência política eram financiados com o dinheiro retirado diretamente dos proventos de aposentados, muitos deles sem sequer saber que tinham contratado qualquer serviço.

Poder e influência

Com tanto dinheiro em jogo, o esquema não se restringia às fraudes de balcão. Influentes ligados às entidades passaram a cooptar autoridades, deputados, senadores, advogados e até dirigentes bancários, criando uma rede de proteção política e jurídica que garantia a continuidade das fraudes.

Enquanto isso, milhares de aposentados e pensionistas viam seus contracheques comprometidos por descontos desconhecidos e ilegais. Muitos sequer conseguiam identificar a origem das cobranças, tornando-se reféns de uma engrenagem que parecia blindada contra qualquer fiscalização.

Especialistas ouvidos pela Coluna alertam que o combate a esse tipo de fraude exige mais que operações pontuais, que são deflagradas com um espaço de tempo bastante elástico, mas de um reforço nos sistemas de segurança da Dataprev, responsabilização de bancos que colaboraram com os vazamentos e a ampliação do acesso das vítimas a mecanismos de defesa.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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