O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) indiciou Francisco das Chagas Lopes Gomes, vulgo “Bracinho”, pelo assassinato de Pedro Gustavo Pereira, de 20 anos, morto a tiros durante um baile de reggae na região da Vila Mandacaru, zona sudeste de Teresina. O indiciamento ocorreu nessa segunda-feira (02), após o avanço das investigações conduzidas pelo delegado Bruno Ursulino.
O crime aconteceu na madrugada do dia 17 de agosto de 2025, por volta das 4h da manhã, logo após o encerramento de um reggae bastante movimentado na área. As vítimas deixavam o local a pé, seguindo em direção a Avenida dos Ipês, quando uma pessoa em uma motocicleta passou efetuando vários disparos de arma de fogo contra o grupo. Durante a ação, Pedro Gustavo foi atingido e não resistiu. Outras três pessoas também foram baleadas e socorridas para o hospital.
Segundo o delegado Bruno Ursulino, responsável pelo caso, a equipe do DHPP esteve tanto no local do crime quanto no hospital, identificando todos os atingidos. A apuração revelou um dado importante: “apenas um dos feridos não possuía envolvimento criminal. Os demais, inclusive a vítima fatal, já tinham passagens pela polícia e ligação direta com a facção criminosa PCC, que atua naquela região. Então, ficou claro para a investigação que o atirador tinha alvos específicos. Os disparos não foram aleatórios”, destacou o delegado Bruno Ursulino.
Silêncio, vingança e identificação do atirador
Inicialmente, os sobreviventes se recusaram a colaborar com a investigação. De acordo com o DHPP, o silêncio tinha um motivo claro e meticuloso, pois eles pretendiam fazer justiça com as próprias mãos. Hoje, todos esses sobreviventes já se encontram presos, inclusive em operações realizadas pelo próprio departamento.
Com o avanço das diligências, surgiu o nome de um suspeito apontado informalmente como atirador. No entanto, essa pessoa procurou a polícia e revelou que havia sido confundida. Segundo o relato, o verdadeiro autor dos disparos seria “Bracinho”, morador da região e conhecido por manter rixa antiga com integrantes da Vila Mandacaru.
Segundo apontou a investigação do delegado Bruno Ursulino, testemunhas confirmaram que viram Bracinho passando de motocicleta no momento exato dos disparos. “Outro detalhe reforça a autoria, já não haveria motivo algum para ele circular naquela área, dominada pelo PCC, já que isso colocaria sua própria vida em risco, tendo em vista que Bracinho tem ligação com o grupo do Bonde dos 40, facção rival do PCC, e possuía histórico de conflitos com os frequentadores do baile.
Guerra de facções e histórico da vítima
Francisco das Chagas residia na região da Morada do Sol, relativamente próxima à Vila Mandacaru. Quando mais novo, circulava pela área e conhecia bem as pessoas do local. Com a divisão territorial entre facções, “A de um lado, B do outro”, como define a polícia, os conflitos se intensificaram, resultando em ataques sucessivos.
Sobre a vítima, o delegado Bruno Ursulino ratificou que Pedro Gustavo tinha diversas passagens, inclusive por porte ilegal de arma de fogo e homicídio, além de já ter sido alvo de mandados expedidos pela Vara da Infância e Juventude. Ele atuava principalmente na região próxima ao Parque Itararé, área considerada estratégica para a facção.
Dias antes de ser morto, Pedro Gustavo já havia sofrido um ataque a tiros em frente à própria casa, fato que vinha sendo investigado pela polícia, embora os autores desse ataque específico não sejam os mesmos do crime ocorrido no baile.
Para o DHPP, o homicídio está diretamente ligado à disputa entre facções criminosas e à tentativa de execução de alvos específicos ligados ao PCC. Com o indiciamento de Bracinho, o inquérito avança para a fase final. “O contexto é de conflito territorial e histórico de violência. Nada foi aleatório”, concluiu o delegado Bruno Ursulino.
Rapidinhas
Bracinho já foi indiciado por outro homicídio na Vila São Raimundo
Francisco das Chagas Lopes Gomes foi indiciado no final de dezembro de 2025 pelo assassinato de Thalesson Pereira Silvestre, ocorrido na região da Vila São Raimundo, em Teresina, no dia 20 de outubro do ano passado, por homicídio qualificado, em razão do ataque surpresa que impossibilitou a defesa da vítima.
De acordo com as investigações, no dia do crime, Thalesson Pereira Silvestre estava em frente ao terreno de sua residência quando os suspeitos invadiram o local pelos fundos. A ação foi facilitada pelo conhecimento prévio da geografia da área, já que os envolvidos residem em bairros próximos e frequentavam a região há algum tempo.
Conforme apurado pela equipe do delegado Bruno Ursulino, do DHPP, os suspeitos já conheciam a vítima. O acusado preso relatou que vinha sendo ameaçado por Thalesson, com apoio de outro indivíduo que mora na Vila São Raimundo. Segundo essa versão, o acusado acreditava que a vítima o considerava integrante de uma facção criminosa rival.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
Ver todos os comentários | 0 |