Mais de um ano após o assassinato da advogada Valdenice Gomes Celestino Soares, o principal acusado do crime, Adelaido Gomes Celestino, continua foragido. Em maio deste ano, a fuga completou um ano e dois meses sem que as forças de Segurança Pública do Piauí conseguissem localizar o investigado.
O crime aconteceu no município de Paulistana, no Sul do estado, e chocou a população pela brutalidade e pelo fato de o acusado ser irmão da vítima. De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Piauí, Valdenice foi alvo de uma emboscada enquanto retornava de uma propriedade rural da família.
A advogada havia ido ao local para consertar uma cerca que, segundo familiares, era frequentemente danificada por Adelaido em meio a conflitos relacionados à divisão de terras herdadas pela família. Ela estava acompanhada de uma irmã e do neto no momento em que foi surpreendida pelos disparos.
A perícia apontou que Valdenice foi atingida diversas vezes, principalmente na região do pescoço, sem chance de defesa.
As investigações revelaram que a advogada vinha sofrendo ameaças constantes de irmãos que não aceitavam sua atuação como inventariante no processo de partilha dos bens da família. Durante o inquérito, familiares entregaram à polícia mensagens e áudios atribuídos a Narciso Gomes Celestino, também irmão da vítima, contendo ameaças explícitas.
Em uma das mensagens analisadas pela investigação, Narciso teria afirmado que o conflito “não se resolveria na Justiça, mas na bala”.
Filho do acusado ajudou na fuga
Segundo a Polícia Civil, Gabriel Celestino, filho de Adelaido, teria participado diretamente da fuga do pai logo após o assassinato. Testemunhas afirmaram ter visto Gabriel circulando em uma motocicleta nas proximidades da cena do crime no dia da execução.
Ainda conforme o inquérito, ele também foi localizado em outro município usando roupas semelhantes às descritas por testemunhas que presenciaram a ação criminosa.
Relatórios técnicos produzidos durante a investigação apontam ainda que o celular de Gabriel estava conectado ao mesmo ponto de internet utilizado por Adelaido na localidade onde o crime aconteceu, o que contradiz a versão apresentada por ele à polícia.
Outro alvo da investigação é Narciso Celestino, apontado como possível incentivador do assassinato. A polícia suspeita que ele tenha pressionado Adelaido para agir contra a irmã em razão da disputa familiar envolvendo as terras.
Os investigadores também apuram se Narciso teve participação no envio da arma usada no homicídio, hipótese que reforçaria um possível planejamento prévio do crime.
Outro ponto considerado importante pela Polícia Civil é o desaparecimento do celular da advogada. A suspeita é de que o aparelho tenha sido destruído ou ocultado para eliminar provas que poderiam ajudar na elucidação do caso.
Mesmo após mais de um ano de buscas, Adelaido Gomes Celestino permanece foragido. A Polícia Civil trabalha com diferentes linhas de investigação e não descarta a possibilidade de que ele esteja escondido fora do Brasil.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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