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Colunista Caroline Vitorino
Análise política
GP1

Alguém ainda duvida que Washington Bandeira é o nome escolhido de Rafael Fonteles para vice?

Fontes ligadas ao ministro Wellington Dias afirmam que ele não está plenamente satisfeito com a escolha.

Na política, há verdades que não se anunciam, apenas se deixam escapar, em frases curtas, olhares demorados ou silêncios bem colocados. O caso do vice na chapa de Rafael Fonteles (PT) em 2026 é um exemplo clássico: todos sabem o nome, mas o partido insiste em tratá-lo como um segredo de Estado.

Em conversa com o GP1, o presidente do PT em Teresina, João Pereira, deixou escapar o que já se sussurrava nos corredores do Palácio de Karnak. “Washington Bandeira é o nome do partido. Um nome de muita competência.” Foi o suficiente para encerrar qualquer dúvida, ou, talvez, para abri-las de vez.

Foto: Divulgação/AscomRafael Fonteles e Washington Bandeira
Rafael Fonteles e Washington Bandeira

Na prática, o secretário de Educação, Washington Bandeira, é o nome da confiança de Fonteles. Não há outro que reúna tanto o perfil técnico desejado quanto o selo de lealdade política que o governador preza. O deputado federal Merlong Solano, que recentemente desabafou sobre as especulações envolvendo seu nome como possível vice, confirmou a informação, ainda que de forma indireta. Segundo ele, o próprio governador apresentou Bandeira como o nome indicado para compor a chapa.

Até aqui, tudo parece claro. Mas o PT raramente é tão simples assim. Se o nome já foi escolhido por Fonteles e aceito pelo partido, por que o silêncio? Por que o suspense, o “vamos aguardar o momento certo”? A resposta está no jogo interno aquele que se desenrola longe das coletivas e notas oficiais.

Dentro do PT, há sempre um tempo político para cada gesto. E há, sobretudo, a figura incontornável de Wellington Dias, ex-governador e atual ministro do Desenvolvimento Social, cuja sombra se estende sobre cada decisão estratégica do partido no Piauí.

Fontes ligadas ao ministro Wellington Dias e ouvidas pelo GP1 afirmam que ele ainda não está plenamente satisfeito com a escolha de Fonteles. Não por desconfiança no nome de Washington Bandeira, a quem respeita e reconhece, mas porque, em política, toda escolha é também uma moeda de troca.

Wellington, dizem, ainda busca “um pouco mais de vantagem” na equação. Em outras palavras, o aval final do ex-governador depende menos do nome e mais do que vem junto com ele, o espaço, a influência, o controle sobre a engrenagem que move o partido e o governo.

O silêncio, portanto, não é indecisão: é negociação.

Enquanto isso, o governador Fonteles, com seu estilo calmo e avesso ao confronto, repete que “a política de 2026 está em construção”. Uma frase aparentemente inofensiva, mas que carrega o subtexto de quem sabe que está pisando em terreno delicado.

Porque no PT, e especialmente no PT do Piauí, as decisões não se anunciam, se amadurecem. O partido fala em “coletividade”, mas age com a meticulosidade de um tabuleiro de xadrez, onde cada movimento é calculado para não ferir suscetibilidades.

No fim, ninguém mais duvida que Washington Bandeira é o escolhido. O que se discute agora é quanto custará à unidade partidária essa escolha aparentemente consensual. Como diria o próprio Rafael Fonteles, “a política de 2026 está em andamento”. E, como bem sabem os veteranos desse jogo, quando um político diz que ainda está “construindo o cenário”, é porque o cenário já está montado só falta combinar as luzes e decidir quem subirá ao palco.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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