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Colunista Caroline Vitorino
Análise política
GP1

PSB e Cidadania: uma federação entre cálculos e riscos para 2026

No Piauí, a expectativa é modesta: arrancar uma cadeira na Câmara, ainda que com muito esforço.

A política, como a vida, é feita de alianças que oscilam entre convicção e conveniência. No caso do PSB, o movimento em direção a uma federação com o Cidadania para 2026 parece se encaixar mais na segunda hipótese. Em entrevista ao GP1, o secretário de Planejamento, Washington Bonfim (PSB), deixou claro que a união é praticamente certa, embora ainda dependa do aval do governador Rafael Fonteles (PT), figura central da engrenagem governista no Piauí.

Bonfim foi direto: o PSB buscou conversas com outras legendas, inclusive com o PDT, mas nada avançou. Restou o Cidadania, sigla menor, mas que oferece ao PSB a possibilidade de construir uma chapa competitiva para deputado federal - sonho reiterado nacionalmente pela cúpula socialista. No Piauí, a expectativa é modesta: arrancar uma cadeira na Câmara, ainda que com muito esforço.

Foto: Lucas Dias/GP1Washington Bonfim
Washington Bonfim

O ponto de equilíbrio está justamente aí. De um lado, a federação com o Cidadania dá ao PSB oxigênio e tempo de TV, além de um guarda-chuva institucional que ajuda a atrair nomes em busca de espaço, como o ex-deputado Fábio Abreu, sempre lembrado em especulações. De outro, a união tem sabor de arranjo improvisado, distante de uma engenharia estratégica mais robusta.

No pano de fundo, o partido mantém sua linha de alinhamento ao governador Rafael Fonteles. Bonfim deixou isso explícito: o PSB é autônomo, mas seguirá a orientação do Karnak. Na prática, significa que a legenda caminha com as próprias pernas, mas segura firme na mão do governo. O problema é que 2026 não se vencerá apenas com fidelidade palaciana. A federação é um escudo, mas também um limite.

Os riscos estão postos. O PSB pode até garantir sobrevida e um espaço na Câmara, mas corre o risco de se apequenar politicamente se não for capaz de dialogar além da tutela do PT. O Cidadania, por sua vez, entra na equação sem musculatura real, oferecendo pouco além do que o calendário eleitoral exige.

O jogo de 2026 não se decide apenas nas grandes legendas. Mas estas, ao concentrarem forças e atrair nomes competitivos, tornam a vida das médias cada vez mais apertada. Para o PSB, a federação com o Cidadania é uma saída possível, talvez inevitável. A questão é saber se será também suficiente.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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