Nas conversas reservadas de Brasília, o nome do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, voltou a circular como peça importante no tabuleiro da sucessão presidencial. Aos aliados mais próximos, o senador tem confidenciado que estaria disposto a compor como candidato a vice de Tarcísio de Freitas, caso o governador de São Paulo aceite a missão de disputar o Palácio do Planalto. O movimento teria, como aval, a bênção do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O desenho, contudo, está longe de ser simples. Para chegar à vice-presidência numa chapa liderada pelo PL, partido de Bolsonaro, Ciro teria de deixar o comando dos Progressistas, um gesto que, além de traumático, poderia provocar desequilíbrios dentro da própria base da direita.
O impasse se acentua diante de outro fato: Bolsonaro já sinalizou que a escolha de candidatos ao Senado, em São Paulo e em outros estados, será de sua alçada pessoal, com clara preferência por nomes de seu partido. Nesse arranjo, uma das vagas seria destinada a um nome do PL, e a segunda, ao que tudo indica, deve recair sobre o secretário de Segurança Pública paulista, Guilherme Derrite, pelo PP.
Poder em excesso?
A eventual filiação de Ciro Nogueira ao PL desperta cautela entre outras lideranças. Há quem enxergue, nessa hipótese, a possibilidade de concentração excessiva de poder nas mãos de um único partido, movimento visto com reservas por siglas que também pretendem compor a coligação de 2026.
Não seria a primeira vez que o nome do senador piauiense surge como alternativa de vice-presidência. Desde a gestão Bolsonaro, quando ocupou a Casa Civil, a ideia já esteve em pauta em diferentes momentos. Em 2022, chegou a se especular um acordo entre PL e Progressistas para garantir-lhe a vaga de vice, mas a costura política não prosperou.
Agora, com a eleição de 2026 no horizonte e a direita reorganizando suas fileiras para enfrentar a tentativa de reeleição de Lula, o senador volta a se mover.
Vozes dissonantes
Se, de um lado, Ciro articula e deixa aberta a possibilidade, de outro, seus aliados mais próximos tentam esfriar a especulação. O deputado Júlio Arcoverde, companheiro de longa data, tem repetido que o senador deve priorizar a reeleição ao Senado, com foco em consolidar a base no Piauí e percorrer municípios em busca de apoio. A presença numa chapa presidencial, assegura ele, não estaria nos planos imediatos.
O quadro, portanto, ainda é de incerteza. Mas a simples menção de seu nome entre as alternativas de vice confirma o lugar que Ciro Nogueira ocupa no debate político: o de um articulador experiente, capaz de transitar entre diferentes forças e de manter em aberto, até o último momento, os caminhos possíveis para seu futuro.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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