Fechar
Colunista Caroline Vitorino
Análise política
GP1

O projeto presidencial do senador Ciro Nogueira para 2026

Para chegar à vice-presidência numa chapa liderada pelo PL, Ciro teria de deixar o comando dos PP.

Nas conversas reservadas de Brasília, o nome do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, voltou a circular como peça importante no tabuleiro da sucessão presidencial. Aos aliados mais próximos, o senador tem confidenciado que estaria disposto a compor como candidato a vice de Tarcísio de Freitas, caso o governador de São Paulo aceite a missão de disputar o Palácio do Planalto. O movimento teria, como aval, a bênção do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O desenho, contudo, está longe de ser simples. Para chegar à vice-presidência numa chapa liderada pelo PL, partido de Bolsonaro, Ciro teria de deixar o comando dos Progressistas, um gesto que, além de traumático, poderia provocar desequilíbrios dentro da própria base da direita.

Foto: Lucas Dias/GP1Ciro Nogueira
Ciro Nogueira

O impasse se acentua diante de outro fato: Bolsonaro já sinalizou que a escolha de candidatos ao Senado, em São Paulo e em outros estados, será de sua alçada pessoal, com clara preferência por nomes de seu partido. Nesse arranjo, uma das vagas seria destinada a um nome do PL, e a segunda, ao que tudo indica, deve recair sobre o secretário de Segurança Pública paulista, Guilherme Derrite, pelo PP.

Poder em excesso?

A eventual filiação de Ciro Nogueira ao PL desperta cautela entre outras lideranças. Há quem enxergue, nessa hipótese, a possibilidade de concentração excessiva de poder nas mãos de um único partido, movimento visto com reservas por siglas que também pretendem compor a coligação de 2026.

Não seria a primeira vez que o nome do senador piauiense surge como alternativa de vice-presidência. Desde a gestão Bolsonaro, quando ocupou a Casa Civil, a ideia já esteve em pauta em diferentes momentos. Em 2022, chegou a se especular um acordo entre PL e Progressistas para garantir-lhe a vaga de vice, mas a costura política não prosperou.

Agora, com a eleição de 2026 no horizonte e a direita reorganizando suas fileiras para enfrentar a tentativa de reeleição de Lula, o senador volta a se mover.

Vozes dissonantes

Se, de um lado, Ciro articula e deixa aberta a possibilidade, de outro, seus aliados mais próximos tentam esfriar a especulação. O deputado Júlio Arcoverde, companheiro de longa data, tem repetido que o senador deve priorizar a reeleição ao Senado, com foco em consolidar a base no Piauí e percorrer municípios em busca de apoio. A presença numa chapa presidencial, assegura ele, não estaria nos planos imediatos.

O quadro, portanto, ainda é de incerteza. Mas a simples menção de seu nome entre as alternativas de vice confirma o lugar que Ciro Nogueira ocupa no debate político: o de um articulador experiente, capaz de transitar entre diferentes forças e de manter em aberto, até o último momento, os caminhos possíveis para seu futuro.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.