O impasse sobre o destino partidário de Gessivaldo Isaías, único deputado estadual do Republicanos, expõe um dilema que ultrapassa sua reeleição e atinge diretamente a estratégia de poder do Progressistas, comandado pelo senador Ciro Nogueira. Sem chapa própria no Republicanos, Gessivaldo precisa escolher entre duas casas: o Progressistas, na oposição, ou o MDB, na base governista. A decisão, embora pessoal, tem implicações que vão muito além de sua cadeira na Assembleia Legislativa.
Os riscos para o Progressistas
No Progressistas, a presença de Gessivaldo é tratada como certa, quase automática. E aí está o problema. O deputado se ressente da falta de diálogo direto com Ciro. Observadores do partido apontam que os recursos e apoios mais robustos parecem ser direcionados a outros nomes. O risco é claro: se migrar para o MDB, não apenas deixará de reforçar a chapa progressista, mas também levará consigo uma base eleitoral estimada em mais de 30 mil votos. Em eleições proporcionais, votos não somam em duplicidade, eles migram.
Para um partido que depende de “puxadores de voto” para garantir a sobrevivência de quadros menos competitivos, esse movimento teria efeito direto no cálculo eleitoral. Se a média para eleger um deputado estadual girar entre 35 e 40 mil votos, como apontam estimativas, qualquer desfalque nesse patamar pode custar uma cadeira.
O dilema dos preferidos de Ciro
O desconforto de Gessivaldo aumenta diante da avaliação de terceiros de que Ciro Nogueira tem seus nomes de estimação. Dois exemplos são recorrentes: Júnior Percy, com forte colégio eleitoral em Luís Correia e Parnaíba, é visto como um ativo importante para o PP no litoral. Tem densidade eleitoral local e musculatura política, o que o coloca em posição privilegiada na fila da atenção de Ciro; Fernandinho, ex-prefeito de Nossa Senhora dos Remédios, chega ao Progressistas com muitos recursos financeiros, mas com um colégio eleitoral limitado. Seu peso está mais no caixa do que nas urnas, mas ainda assim ganha espaço, o que acentua a sensação de que “dinheiro fala mais alto” dentro do partido.
Em comparação, Gessivaldo apresenta um diferencial incômodo para o PP: ele pode não ter o mesmo volume de recursos que Fernandinho, mas tem uma base consolidada e dispersa, com potencial de chegar a 35 mil votos, algo decisivo numa disputa proporcional. Se ele migrar para o MDB, não será apenas mais um reforço: será um prejuízo direto ao Progressistas, enfraquecendo a chapa e reduzindo o espaço dos aliados de Ciro.
As oportunidades para o MDB
Segundo apurado pela Coluna, Gessivaldo já recebeu convite explícito para ingressar no MDB, sendo cortejado inclusive pelo deputado Severo Eulálio, presidente da Assembleia Legislativa. A oferta é estratégica: além de resgatar um ex-emedebista que já teve bom desempenho pelo partido, o MDB enfraquece o Progressistas e reforça sua própria bancada com um quadro que carrega votos efetivos.
No MDB, Gessivaldo teria que se alinhar mais fortemente ao grupo governista e negociar espaço interno. Mas, ao contrário do Progressistas, ele não chegaria como “cota certa”: chegaria como ativo valorizado, justamente por ser capaz de subtrair do adversário.
O teste para Ciro Nogueira
A situação coloca Ciro Nogueira em teste. Até que ponto o senador valoriza aliados médios, mas com votos reais? Ao priorizar nomes como Júnior Percy e Fernandinho, pode estar criando uma rachadura silenciosa. Se Gessivaldo se sentir descartável e migrar, o prejuízo será duplo: o MDB se fortalece e o Progressistas perde um deputado que poderia ser determinante na conta final.
Mais do que números, a mensagem política é corrosiva: o Progressistas trata como prioridade quem tem recursos ou apadrinhamento local, mas não necessariamente quem já provou fidelidade eleitoral. Isso mina a confiança dos quadros e fragiliza a imagem de Ciro como líder absoluto.
O que fica?
A decisão de Gessivaldo ainda não foi tomada, mas o recado já está dado: ele não é refém de Ciro Nogueira e tem alternativas concretas. Para o MDB, sua entrada seria um movimento cirúrgico, ao mesmo tempo que soma e retira. Para o Progressistas, sua saída seria a prova de que a máquina política de Ciro pode ser corroída não pelos adversários diretos, mas pela má gestão de seus próprios aliados.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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