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Colunista Caroline Vitorino
Análise política
GP1

População de baixa renda paga o preço pela omissão do prefeito Sílvio Mendes na saúde de Teresina

A saúde pública de Teresina está em crise por falta de comando, de sensibilidade e de compromisso.

Há um abismo crescente entre o Palácio da Cidade e a vida real de quem depende da rede pública de saúde em Teresina. Um abismo sustentado não apenas por falhas administrativas, mas por uma escolha política clara: a de governar à distância do sofrimento cotidiano da população. A Fundação Municipal de Saúde, sob a gestão do prefeito Sílvio Mendes, tornou-se o retrato de um sistema que não acolhe, não responde e não se responsabiliza.

A crise não é silenciosa. Em julho, o então presidente da FMS, Charles Silveira, deixou o cargo após relatar divergências internas, quebra de hierarquia e decisões tomadas sem sua participação direta. O episódio escancarou uma desorganização estrutural e um modelo de gestão em que a condução técnica cede espaço à improvisação. Desde então, a instabilidade se aprofundou, enquanto o prefeito Sílvio Mendes optou por tratar o problema como ruído administrativo, não como emergência social.

Foto: Alef Leão/GP1Sílvio Mendes
Sílvio Mendes

O caso de Valdimir Alves, morador da zona sul da capital, exposto recentemente em reportagem da TV GP1, é um retrato doloroso dessa realidade. Portador de Parkinson em estágio avançado ele depende de uma medicação que deveria ser fornecida gratuitamente pelo município. Não recebe. Para continuar vivendo com dignidade mínima, contrai empréstimos e conta com doações diárias de desconhecidos. Pessoas comuns estão assumindo uma responsabilidade que cabe ao poder público. Quando a solidariedade vira política pública informal, no caso específico, o Município já falhou por completo.

E Valdimir não está sozinho. O que se vê nas unidades básicas de saúde é uma rotina que afronta qualquer noção de humanidade. Usuários relatam que precisam chegar ainda no período da tarde e passar a noite nas portas dos postos para tentar garantir, na manhã seguinte, uma das poucas vagas disponíveis para consulta. O número reduzido de atendimentos não cobre, nem de longe, a demanda de uma cidade com 905.692 habitantes. Para cirurgias ou atendimentos especializados, o cenário se torna ainda mais cruel. Há quem pague terceiros para enfrentar filas e madrugadas, porque adoecer, para muitos, virou um risco que o município não cobre. Em Teresina, sob a atual gestão, o cidadão não tem sequer o direito de adoecer.

Enquanto isso, o prefeito Sílvio Mendes se mantém alheio. Não visita unidades de saúde para ver as longas filas, não responde às denúncias com a urgência que elas exigem, não assume a gravidade do colapso. Talvez porque não precise. Quando adoece, não enfrenta madrugadas em calçadas nem disputa vagas escassas. É acomodado em leitos de hospitais privados, pagos, em última instância, pelos mesmos cidadãos que hoje dormem ao relento tentando salvar a própria vida.

A Fundação Municipal de Saúde se limita a emitir notas técnicas, frias, distantes, que falam de licitações, fornecedores e trâmites burocráticos. Notas que não entregam remédios, não reduzem filas e não aliviam a angústia de quem espera. Notas que “esclarecem” sem esclarecer.

A justificativa apresentada pela FMS, de que a falta de medicamentos decorre da ausência de processo licitatório vigente e do atraso na entrega por fornecedores, pode servir aos arquivos administrativos, mas não responde à pergunta central: como uma gestão permite que um serviço essencial funcione sem planejamento mínimo? Como se governa uma capital ignorando que saúde não admite interrupção? A população não pode esperar o ritmo da burocracia quando a doença não espera.

O eleitor teresinense colocou Sílvio Mendes na cadeira principal do Palácio da Cidade esperando responsabilidade, presença e ação. O que recebe, no entanto, é abandono institucional. A saúde pública não está em crise por falta de avisos. Está em crise por falta de comando, de sensibilidade e de compromisso. E essa conta, todos os dias, recai sobre quem menos pode pagar.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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