A insistência quase obsessiva do vereador Dudu Borges em empurrar o nome de Eduardo Draga Alana para a chapa proporcional do PT em 2026 não é movida por altruísmo partidário nem por súbita preocupação com a renovação política. Trata-se de cálculo. Ao defender a filiação e a candidatura de um vereador com votação expressiva em Teresina, Dudu tenta reposicionar seu próprio grupo dentro do partido e ampliar o peso político da ala que representa na disputa interna por espaços e poder.
Ao recorrer reiteradamente ao discurso da proporcionalidade estatutária, mesmo diante de contestação pública da direção municipal, Dudu sinaliza menos uma convicção jurídica e mais uma estratégia de pressão. A fala de que será candidato caso Draga Alana não entre no jogo é blefe ensaiado. O objetivo não é necessariamente disputar uma vaga na Assembleia, mas criar constrangimento político suficiente para forçar o PT a reabrir negociações, mexer no tabuleiro e rever limites que hoje favorecem quem já está instalado.
Há também um componente externo que Dudu faz questão de explorar: o suposto aval do governador Rafael Fonteles à filiação de Draga Alana. Ao atrelar o nome do governador à operação, o vereador tenta blindar sua tese de resistência interna e elevar o custo político de um eventual veto. Não por acaso, o discurso incomoda parlamentares que buscam a reeleição e veem na entrada de um nome competitivo uma ameaça direta aos seus projetos pessoais. Nesse cenário, Draga Alana vira símbolo de expansão da bancada para uns e de risco concreto para outros.
O problema é que a estratégia encontra um limite institucional claro. O presidente municipal do PT, João Pereira, foi direto ao apontar o esgotamento das vagas e desmontar, publicamente, a tese da proporcionalidade estatutária. Ao fazer isso, expôs o cerne da disputa: não é sobre regra, é sobre força política. Dudu sabe disso. Por isso fala alto, provoca, tensiona e mantém o tema vivo.
Afinal, qual seriam os motivos de Dudu apadrinhar Drana Alana?
A primeira é sobre sobrevivência política futura. Dudu está no segundo mandato de vereador e sabe que o ciclo municipal tem teto. Ao se colocar como fiador de um nome forte para 2026, ele tenta se credenciar como articulador de chapas, alguém útil além do próprio voto. Se Draga Alana entrar e for bem, Dudu passa a ser visto como peça estratégica na construção eleitoral do PT, mesmo sem disputar cargo majoritário ou proporcional naquele momento.
Há também um cálculo territorial. Draga Alana tem base eleitoral consolidada em Teresina, especialmente em regiões onde o PT tradicionalmente perde espaço para nomes mais personalistas. Ao trazer esse capital eleitoral para dentro do partido, Dudu fortalece sua influência na capital e enfraquece grupos internos rivais que hoje controlam diretórios, listas e decisões. Não é só ampliar a bancada. É mudar quem manda nela.
Outra hipótese, ventilada nos bastidores, é antecipação de cenário adverso. Dudu sabe que, se o PT montar uma chapa fechada apenas com nomes já conhecidos, o risco de desgaste interno e baixa renovação é alto. Ao insistir em Draga Alana, ele força o partido a encarar um debate incômodo: crescer com nomes competitivos ou proteger mandatos já estabelecidos. Nesse sentido, a pressão funciona como teste de coerência do discurso de “renovação” tão defendido pela cúpula.
Por fim, existe a possibilidade mais pragmática de todas: Draga Alana como moeda de troca. Mesmo que a filiação não se concretize, o barulho pode render compensações políticas, seja na montagem da chapa, na distribuição de recursos de campanha ou no reposicionamento de Dudu dentro da estrutura partidária. Em política, quem cria o problema quase sempre quer participar da solução.
No fundo, a candidatura de Draga Alana é menos um fim e mais um instrumento. Serve para medir quem manda, quem obedece e até onde o partido está disposto a ir para crescer sem implodir por dentro.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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