O corpo humano funciona como uma máquina inteligente: ele se adapta ao uso que fazemos dele. Quando um idoso se movimenta pouco, o organismo entende que não precisa manter certas funções ativas, e começa, lentamente, a desligá-las.
Quanto menos o idoso se levanta, caminha ou realiza tarefas simples do dia a dia, mais rápido ocorre a perda de força muscular. Esse processo, conhecido como Sarcopenia, faz com que os músculos enfraqueçam, diminuam de tamanho e percam a capacidade de sustentar o corpo com segurança.
Mas o problema não para nos músculos. A falta de movimento também prejudica o equilíbrio, reduz a mobilidade das articulações e diminui a resistência do coração e dos pulmões. Aos poucos, atividades simples — como levantar da cadeira, caminhar dentro de casa ou tomar banho — passam a exigir um esforço cada vez maior.
E aqui começa um ciclo perigoso: o idoso se movimenta menos porque sente dificuldade, e quanto menos se movimenta, mais difícil se torna se mover.
O corpo, diante da inatividade, entende que não precisa manter força, equilíbrio e coordenação. É como se ele fosse “paralisando aos poucos”. Primeiro vem a dificuldade para caminhar, depois a necessidade de apoio, em seguida o uso de bengalas ou andadores… e, em muitos casos, o destino final acaba sendo a cadeira de rodas — não por uma doença súbita, mas por falta de movimento ao longo do tempo.
Por outro lado, o movimento é uma poderosa forma de manter a independência. Caminhar, levantar da cadeira várias vezes ao dia, subir pequenos degraus e praticar exercícios de fortalecimento muscular são atitudes simples que enviam ao corpo a mensagem certa: “eu ainda preciso funcionar.”
Logo, no envelhecimento, não é a idade que prende alguém a uma cadeira de rodas. Na maioria das vezes, é a falta de movimento que vai, silenciosamente, desligando o corpo.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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