Um processo trabalhista em andamento puxou o fio de um novelo que expõe um modelo de gestão, no mínimo, criativo. Ao cobrar seus direitos da J F G da Rocha Construções LTDA, o ex-funcionário Antônio Ferreira da Silva descobriu que seu empregador era pontual, mas o pagador era outro: a Prefeitura de São João da Serra. A municipalidade, num surto de generosidade com o setor privado, depositava diretamente R$ 3 mil mensais na conta do trabalhador, inaugurando uma modalidade inovadora de terceirização onde o poder público assume os custos da empresa.
Como se o enredo já não fosse curioso o suficiente, a trama ganhou um tempero especial: a empresa beneficiada pela folha de pagamento municipal, a J F G da Rocha Construções, pertence a ninguém menos que o próprio prefeito, João Francisco Gomes da Rocha, mais conhecido como “Joãozinho Manu”. Em uma manobra digna de um prêmio de empreendedorismo, o gestor usava o dinheiro público para custear os funcionários do seu negócio particular, eliminando um dos principais custos de qualquer empresário e resolvendo, de uma só vez, o público e o privado.
A mágica contábil era engenhosa. A Prefeitura assumia as obrigações trabalhistas que eram exclusivas da empresa do prefeito, transformando o que deveria ser um custo operacional privado em uma despesa pública. A prática, que agora cheira a peculato e improbidade administrativa, representa uma forma sofisticada de garantir que o negócio particular do gestor prosperasse com um empurrãozinho do contribuinte, que, sem saber, patrocinava o sucesso empresarial de seu líder.
Agora, a conta do "sucesso" parece ter chegado. Os órgão de controle serão acionados para investigar a extensão dessa criatividade administrativa.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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