A fronteira agrícola do Piauí volta a ser palco de uma queda de braço que expõe a fragilidade do direito de propriedade diante de táticas de pressão de movimentos sociais. Desta vez, o alvo é a Fazenda Confiança, em Palmeirais, uma área de mais de 2,7 mil hectares de posse da gigante Suzano S.A., que se vê em um "limbo jurídico" após o Judiciário negar uma medida liminar para impedir uma invasão iminente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O caso, que tramita na Vara de Conflitos Fundiários, revela uma estratégia moderna e agressiva de ocupação. Não se trata apenas de foices e lonas pretas na beira da estrada; a ofensiva agora é digital. A Suzano levou ao processo provas de que o perfil oficial "@mst_piaui" já anunciava a mobilização de cerca de 200 famílias para ocupar áreas da empresa na região.
Apesar da empresa apresentar toda a documentação rigorosamente em dia e comprovar a produtividade da área há mais de uma década, a decisão do juiz Alexsandro de Araújo Trindade acendeu um sinal de alerta para o setor produtivo. Ao indeferir a liminar de interdito proibitório, o magistrado argumentou que as postagens em redes sociais e o acampamento montado nas margens da rodovia constituem apenas um "temor abstrato" ou "conjecturas". Para quem produz e gera empregos, a pergunta que fica é: qual é o limite entre a mobilização social e a ameaça real?
Ao exigir "atos materiais de turbação" para conceder proteção, o Judiciário acaba por premiar a tática do cerco. O MST utiliza a visibilidade das redes sociais para criar um ambiente de instabilidade, mas recua no limite geográfico apenas o suficiente para evitar a canetada judicial imediata. É o jogo do "gato e rato" onde o proprietário, mesmo com a escritura na mão, dorme sob a ameaça de ver seu patrimônio invadido a qualquer momento.
*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1
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